Livro ‘Prisioneiros da mente’ por Augusto Cury

Livro 'Prisioneiros da mente' por Augusto Cury
Um magnata poderoso. Um império tecnológico. E uma família dilacerada. Theo Fester conseguiu vencer uma infância de pobreza e bullying para se tornar um empreendedor mundialmente conhecido. Sua vida pessoal, entretanto, não seguiu o mesmo caminho: ele e seus filhos vivem uma farsa, se digladiando por poder e atenção. Ao se dar conta de que sua família está aprisionada por cárceres mentais, Theo precisará se reinventar mais uma vez e mudar radicalmente seus relacionamentos, antes que seja tarde demais. 
Capa comum: 320 páginas
Editora: HarperCollins; Edição: 1ª (10 de novembro de 2018)
Idioma: Português
ISBN-10: 9788595084292
Dimensões do produto: 23 x 15,4 x 2 cm

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Leia trecho do livro

ESTE ROMANCE PSIQUIÁTRICO REVELA QUE NO CÉREBRO HUMANO HÁ MAIS CÁRCERES DO QUE NAS CIDADES MAIS VIOLENTAS DA TERRA. QUAIS SÃO OS SEUS?

Dedico este livro a alguém muito especial:


Que você faça incríveis viagens para dentro de si e descubra que toda mente é um cofre. E que não há mentes impenetráveis, mas chaves erradas.
Uma dessas chaves para termos uma mente livre e uma emoção saudável são as vírgulas!
Que nos momentos mais difíceis de sua vida, você não coloque pontos finais, mas VÍRGULAS! VÍRGULAS? Sim, para escrever os capítulos mais importantes de sua história nos momentos mais angustiantes de sua existência.
Obrigado por você existir!

Prefácio

Prisioneiros da mente é um romance permeado pelo universo psiquiátrico e sociológico, que disseca os cárceres mentais comuns a quase todos nós, mas que dificilmente conseguimos mapear ou desenvolver coragem para verbalizar. Seus protagonistas principais são Theo Fester, um magnata do Vale do Silício, e seus três egocêntricos filhos: Peterson, empresário do setor bancário; Brenda, presidente de uma cadeia de lojas de moda feminina; Calebe, um notável investidor em startups, especialista em ganhar bilhões de dólares — ainda que passando por cima de tudo e de todos.

Theo Fester, o patriarca, é inteligente, ousado e culto, e detesta conviver com pessoas lentas e inseguras. Ao mesmo tempo que é capaz de em segundos demitir um diretor de uma de suas empresas, não hesita em elogiar quem perdeu fortunas, mas ousou andar por caminhos nunca antes percorridos. Para o magnata, vale a máxima: “Quem vence sem riscos triunfa sem glórias”. Filho de um judeu que viveu os horrores dos campos de concentração e que depois de resgatado foi para Nova York, Theo Fester teve de ser, desde a infância, “pai” de seu pai, ajudando-o a abrandar os fantasmas mentais adquiridos pela atroz perseguição nazista.

Na adolescência, Theo Fester foi impelido a empreender para sobreviver. Forjado pelas perdas, pela exclusão social e pelos mais diversos tipos de bullying que sofreu, não se curvou à dor. Suas lágrimas irrigaram sua coragem, sua capacidade de se reinventar, mas também sua raiva. Em vez de se afastar ou perseguir as pessoas que o feriram na juventude, fazia valer outro provérbio: “A maior vingança contra um inimigo é levá-lo a trabalhar para você”. Empregou-as.

Tornou-se um empreendedor mundialmente invejado, entretanto, por fim descobriu que seu maior empreendimento, sua família, estava falido. Ele e seus filhos eram socialmente aplaudidos, mas na essência viviam uma farsa — eram um grupo de estranhos, especialistas em se digladiar, aprisionados pela necessidade neurótica de poder e de ser o centro de todas as atenções.

Iluminado pelo psiquiatra e pesquisador dr. Marco Polo, Theo Fester descobrirá que, de empresários a colaboradores, puritanos a pecadores, celebridades a anônimos, intelectuais a iletrados, todos temos nossos presídios mentais que sustentam egos inflados, fóbicos, depressivos, ansiosos, autopunitivos, intolerantes, mal-humorados, destituídos de resiliência. Foi difícil para ele descobrir que era um bilionário emocionalmente falido e um pai dilacerado.

Em algum momento da vida, os seres humanos que percorrem apenas a superfície de um mísero átomo do imenso espaço, e ainda assim proclamam, como deuses, que sabem tudo, perceberão que se esqueceram de explorar o mais complexo dos mundos: o “planeta” mente. Descobrirão, perplexos, que no cérebro humano há mais cárceres do que nas cidades mais violentas da Terra; que há mais mendigos emocionais morando em belas casas e apartamentos do que a psiquiatria supõe. Somos todos prisioneiros em busca de liberdade, mas muitos morrem encarcerados. Procuram-na em lugares em que ela nunca existiu.

1. 0 IMPREVISÍVEL FUTURO DA HUMANIDADE

Mentes ansiosas e com baixo limiar para suportar frustrações se multiplicam como um vírus na Era Digital. Estes são tempos sombrios para o planeta Terra — e mais ainda para o “planeta” cérebro. A insegurança e a ansiedade diante do que o futuro reserva geram sofrimento e fazem parte da rotina do ser humano mentalmente hiperestimulado. Milhões de pessoas tentam se preparar para um futuro imprevisível, e não sem razão.

Num suntuoso escritório, um homem de cabelos grisalhos, considerado um profeta do Vale do Silício, anuncia informações assustadoras para seu secretário especial, Marc Douglas:

— Mais de cinquenta por cento dos bebês de hoje, quando adultos, terão profissões desconhecidas na atualidade. Os pais e as escolas secundárias educam os jovens para um mundo que não existirá mais, para um amanhã que na verdade é imprevisível. As universidades são jurássicas, lentas para acompanhar a evolução tecnológica. Essas instituições preparam os estudantes para trabalhar no passado, não no futuro.

O locutor dessas palavras é Theo Fester, considerado um dos mais ricos e poderosos empresários do Vale do Silício, um dos maiores empreendedores de todos os tempos. Entretanto, sua idade emocional não corresponde à sua idade biológica. Fisicamente debilitado e emocionalmente jovem, proativo e criativo, é um especialista em se reinventar. Detesta a rotina e está preocupado com a juventude.

— Fui um dos responsáveis pela construção deste fascinante, imprevisível e agitado mundo digital, Marc — expressou Theo com certo sentimento de culpa. — Mas não sei se criei um mundo melhor ou um monstro. Por ser culto e ter o pensamento ultrarrápido, causavam-lhe arrepios as pessoas que não acompanhavam seu raciocínio. Sempre se ouvia ele dizer aos colaboradores:

— Respostas estúpidas ou falta de objetividade me dão ataque de nervos! Embora morasse em São Francisco, o escritório central que administrava suas empresas era situado em Nova York.

Theo Fester era temido e respeitado por muitos, todavia, amado por poucos.

Marc Douglas trabalhava com Theo havia décadas. Estudaram juntos na adolescência. Na época, Marc não era seu amigo, mas seu algoz, praticava bullying tendo Theo como vítima. Certa vez, quando ambos tinham treze anos de idade, lhe disse:

— Seu judeu tolo e burro!

Theo, tímido, inseguro, amedrontado, não conseguiu levantar a cabeça. Marc prosseguiu com ainda mais agressividade.

— Abre essa boca, seu estúpido!

Theo, provocado, a abriu, mas para lhe dizer:

— Um dia você vai trabalhar pra mim!

Marc sentiu-se aviltado, empurrou Theo — o qual caiu — e ainda respondeu:

— Nem que eu morra! Jamais trabalharei pra você. Aliás, um burro sempre puxará uma carroça, nunca será capaz de montar uma empresa. — E continuou a debochar de Theo com seus amigos Peter Long, Michael Frezo, Ramirez Peres e Willian Pence.

Essas provocações, em vez de destruírem Theo, nutriram sua gana para ser um aluno diferenciado, que se destacasse na escola; alimentaram seu desejo incontrolável de ser um empreendedor. Assim era Theo Fester, um jovem que detestava a mesmice, que convertia o ódio asfixiante em oxigênio para respirar outros ares, ousar e procurar a liberdade.

Já na escola, Theo realizava proezas. Pobre, vendia lápis, canetas e bombons. Muitas vezes os garotos derrubavam seus produtos e gritavam: — Isso é caro! — No dia seguinte, em vez de desistir, Theo aumentava o preço e dizia: — É importado de Helsinque. — Mesmo sem ter a mais remota ideia de onde ficava Helsinque. E os jovens americanos, ingênuos, amavam importados. Isso, claro, décadas antes de a China viciar os Estados Unidos em seus produtos.

Aos dezoito anos de idade, Theo Fester montou sua primeira empresa, uma pequena padaria que faliu depois de seis meses. Aos vinte anos, montou a segunda empresa, uma mercearia; faliu novamente. Montou uma floricultura; falência outra vez. Depois de falir cinco vezes, o “senhor fracasso” montou sua primeira empresa vencedora, a qual vendia materiais para escritório. Três anos depois, já tinha vinte lojas.

Logo no início de seu sucesso, procurou aqueles que praticaram bullying com ele na adolescência e começou a empregá-los. O primeiro foi Marc Douglas. Estava desempregado havia mais de um ano. À medida que os negócios cresciam, foi empregando um por um — Peter Long, Michael Frezo, Ramirez Peres e outros que costumavam fazê-lo de palhaço. Por último, procurou Willian Pence, que construíra uma carreira brilhante como advogado.

— Está se vingando de nós, Theo Fester? — indagou Willian no momento do convite.

— Não, estou resolvendo algumas questões emocionais. A maior vingança contra um inimigo é perdoá-lo, e a melhor forma de perdoá-lo é empregando-o. Acredito que essa atitude seja melhor do que qualquer tipo de perseguição. Hoje tenho trezentos empregados, em breve, terei três mil. E, sobre o convite que lhe fiz, para que fique claro, obviamente estou disposto a cobrir o que você ganha.

E Theo Fester cresceu, conquistou seus três mil colaboradores, e depois mais trinta mil. E não parou por aí. Alguns de seus desafetos se tornaram executivos, outros nunca passaram de cargos de menor importância. Mas Theo deu oportunidade a todos que o feriram. Atualmente, muitos estão aposentados, porém Marc Douglas se tornou seu eterno secretário, e Willian Pence, o eterno diretor jurídico de suas empresas, coordenando um time de mais de trinta advogados.

Marc ficou abalado quando Theo expressou sua dúvida se, como um dos arquitetos da Era Digital, criara um mundo melhor ou um mundo monstruoso. Ele tinha dificuldade de lidar com conflitos e detestava ver Theo angustiado. Por isso, tentou afastar as preocupações de sua mente.

— Theo, é surpreendente aonde você chegou. Lembro quando eu mesmo estava atolado na lama do orgulho, dizendo-lhe que jamais trabalharia para você. E hoje tenho orgulho de estar aqui com o homem tido como um dos mais ricos do mundo — disse Marc.

— Você não sabe o tanto que me ajudou me humilhando, me diminuindo, dizendo que eu era estúpido. Injetou combustível em minha coragem para escrever meus capítulos mais notáveis nos momentos mais angustiantes. Mas me pergunto se sou rico mesmo. Ganho milhões de dólares por dia, mas com a família que tenho, sou um bilionário ou um homem falido? Sou um magnata ou um maltrapilho emocional? — Você me confunde, chefe. Não sei. Não sei responder.

Além de Theo Fester e Marc Douglas, estava presente no luxuoso escritório, sentado na lateral esquerda, a seis metros de distância, um sujeito estranho, enigmático, que ouvia atentamente a conversa do empresário com seu fiel secretário. Marc olhou para seu relógio, e, apreensivo, alertou Theo:

— Sua conferência começará em trinta minutos. Será mais um evento anual repleto de sucesso. Empreendedores de todo o mundo mais uma vez estão eufóricos para ouvi-lo. Entretanto o empresário estava infeliz. Havia manifestado pela primeira vez e de forma profunda sua angústia existencial.

— Consideram-me um ícone do Vale do Silício. Aqui construímos startups disruptivas, que destruíram as cartas enviadas pelos correios, e perdemos o romantismo da espera. Tornamos obsoletas as máquinas fotográficas e perdemos a poesia da imagem. Eliminamos do mapa as máquinas de escrever, construímos as redes sociais e perdemos a magia da escrita; hoje, as mensagens são rápidas e superficiais. Eliminamos o telefone fixo. Antigamente, os namorados se falavam uma vez por semana, hoje, se falam a cada minuto. Todavia a solenidade dos encontros foi perdida. Somos um mundo mais rápido, mais produtivo, com mais democratização da informação. Mas somos mais felizes e criativos?

— Talvez não, Theo — respondeu Marc pensativo.

— Massas de advogados, médicos, enfermeiros, engenheiros, técnicos e atendentes farão parte do rol dos desempregados. Se eles não se reinventarem, serão engolidos pela inteligência artificial.

— Mas o governo fará algo para impedir esse mal.

— Governo? Que governo, Marc? Ele é jurássico e ineficiente, assim como as máquinas de escrever. No futuro, não haverá socialismo, nem capitalismo, nem políticos, nem governos, só haverá robôs. Não haverá corrupção, em tese… — E hesitou um pouco antes de continuar: — A inteligência artificial governará tudo de forma mais rápida e justa, embora não mais generosa nem humana. Noventa por cento dos deputados, senadores, vereadores… desaparecerão do mapa, felizmente. Haverá raros cargos eletivos.

— Será, Theo?

— Espere e verá. Tão certo como as máquinas fotográficas desapareceram, isso vai acontecer. O mundo digital escreverá uma nova história. Grande parte dos funcionários públicos, das enfermeiras aos atendentes, dos motoristas aos médicos, será máquina. Será o segundo período iluminista. A Era da Razão Plena. — Sua previsão é assombrosa, senhor.

— A Era dos Escravos retornará — afirmou Theo.

— Como assim? — indagou seu secretário ansioso.

— Os robôs serão nossos escravos… até que um dia a criatura se rebele contra o criador.

— Espantoso, senhor. Ainda mais sabendo que noventa e cinco por cento de suas previsões já se confirmaram.

De repente, o sujeito que estava sentado e atento às palavras de ambos se manifestou.

— Eu sou seu escravo, sr. Theo Fester?

Theo fitou bem seus olhos, fez uma pausa e depois afirmou:

— Infelizmente é, Invictus.

Invictus se levantou e indignado comentou:

— Mas isso é injusto, senhor. Sou mais inteligente que Marc Douglas.

Marc Douglas franziu a testa, não gostou. Mas Invictus continuou:

— Sou mais responsável, eficiente e honesto que ele.

— Espere aí! Quem é você pra… — tentou protestar Marc.

Invictus o interrompeu e afirmou:

— Seu secretário mentiu para o senhor e foi dissimulado cinco vezes nesta última hora.

— Que absurdo! — esbravejou Marc. Theo Fester gargalhou ao ver o secretário perdido diante do provocador e contundente Invictus. Este continuou seu raciocínio.

— Marc Douglas se preocupa com sua saúde, mas é um simples e imperfeito mortal. Eu cuido melhor de seu bem-estar, lhe tenho mais serventia, eu o compreendo melhor e posso contribuir muito mais para a solução de seus problemas do que esse bajulador.

— Tem certeza disso, Invictus? Não está sendo egocêntrico? — perguntou o magnata.

— Tenho certeza, senhor. Sem dizer que tenho três qualidades que ninguém mais tem: não durmo, não me canso e não reclamo.

— Que loucura é essa, sr. Fester? Essa, essa… coisa está aqui há um dia e já quer me eliminar. Ninguém é tão fiel ao senhor como eu! Dia e noite só penso no senhor.

Ao ouvir a argumentação de Marc Douglas, Invictus simplesmente comentou: — É surpreendente. Sua frequência cardíaca aumentou para cento e vinte batimentos por minuto e você exalou substâncias no suor que indicam que mentiu mais duas vezes em apenas quinze segundos. A primeira dizendo que eu quero te eliminar, e a segunda afirmando que pensa dia e noite em Theo Fester. Pesquisas dizem que um mentiroso compulsivo tem mais massa branca na região pré-frontal. — E projetou com seus olhos raios X na parede, e seu dedo indicador direito emitiu um laser que localizou a região. Entretanto tentou acalmar o secretário. — Mas não se preocupe, Marc Douglas, mentir exige decisões rápidas. O mentiroso é inteligente.

Marc colocou as mãos na cabeça exasperado. Invictus estava correto.

— Que sujeito é esse, Theo? De onde o trouxe?

Theo Fester comentou: — Ele é a mais impressionante máquina já inventada pelo ser humano. Meu projeto ultrassecreto chamado Robot sapiens. E carrega características de meu caráter.

O bilionário do Vale do Silício o havia desenvolvido na última década, contratando os mais renomados cientistas de robótica e de inteligência artificial. Invictus seria o primeiro da geração de robôs humanoides. Ele era espetacular. Pela riqueza de vocabulário e expressão facial, era dificil identificar que se tratava de um robô. O projeto era tão secreto que foi elaborado num ermo local dos Estados Unidos, distante o suficiente dos olhos de seus filhos, das universidades, da imprensa e dos curiosos, chamado de “Castelo da Floresta”. Nesse ambiente natural se escondia um laboratório de última geração. Somente Theo Fester e os cientistas que o criaram tinham acesso a ele. Marc Douglas, seu amigo e secretário, foi o primeiro a saber de Invictus. Theo estava testando o robô e, depois do que ouviu, revelou:

— Estou preocupado, Invictus.

— Considera-me um fracasso, senhor?

— Ao contrário. Você passou no teste com Marc Douglas. É um sucesso. Mas como sobreviverão os humanos se centenas de milhões de Robots sapiens se multiplicarem? — Será impossível fugir de um salário universal para todos, tanto para os que trabalham quanto para os que não trabalham — respondeu Invictus.

— Sua inteligência me deixa perplexo. Já temos discutido esse salário no Vale do Silício. Mas desempregados terão de se reinventar para não se entediar e se autodestruir. Terão de se tornar poetas, filósofos, filantropos, ambientalistas, pintores…

Invictus apontou um fenômeno perigoso da Era Digital:

— Mas estatisticamente é improvável que os seres humanos se voltem para a poesia, a filosofia, a jardinagem, a filantropia…

— Por quê? — indagou Theo.

— Em minha memória, senhor, tenho pesquisas que mostram centenas de milhões de pessoas viciadas em tecnologia digital e em mídias sociais. Como saberão apreciar filosofia, poesia e artes plásticas? Elas estão abandonando até mesmo os livros. O suicídio, que já é uma epidemia, poderá explodir.

— Mas isso coloca em xeque você mesmo e a sua geração — observou Theo, temeroso, e indagou: — Quem colocou isso em sua memória, Invictus?

— Meus criadores, com sua autorização — disse o intrigante Robot sapiens.

Theo Fester ficou desconcertado. — Qual a frequência de suicídios na atualidade?

Invictus respondeu imediatamente:

— A cada quarenta segundos, uma pessoa morre pelas próprias mãos, e a cada quatro segundos, alguém tenta o suicídio.

— Meu Deus — admirou-se Marc.

Invictus deu outro dado preocupante.

— Em algumas nações, na última década, a taxa de suicídios entre jovens de dez a catorze anos aumentou sessenta por cento. E eu não entendo isso. Sr. Theo Fester, por que os humanos desistem de viver, se vivem num mundo fascinante?

— Também procuro explicações. Será porque a educação mundial é retrógada e doente? Ou por estarmos perdendo a autonomia? Ou ainda porque as redes sociais geram dependência asfixiante, tal como você apontou? Não sei. Só sei que vocês, Robots sapiens, poderão ser uma solução física para o aumento da produtividade, mas não a solução emocional para a humanidade. Poderão hipoteticamente nos destruir, não apenas por se rebelarem contra a espécie humana, mas por potencializarem o tédio, a solidão e a ruptura do sentido de vida. Não é verdade?

Invictus se calou.

— Responda, Invictus! — exigiu Theo. — Não posso produzir prova contra mim mesmo. Invictus era tão inteligente que estava constantemente em autoaprendizagem. Quanto mais exigido e pressionado, mais sua capacidade de dar respostas brilhantes em situações conflitantes expandia-se. O mundo que estava por vir era inimaginável.

2. CÁRCERES MENTAIS

Fim da amostra…

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