Livro ‘Consciência Quântica’ por Amit Goswami

Livro 'Consciência Quântica' por  Amit Goswami
Uma nova visão sobre o amor, a morte, e o sentido da vida
Desde a antiguidade, temas como Deus, a morte e o sentido da vida são contemplados por diversas religiões e, mais recentemente, enquadrados pelo materialismo científico. No entanto, as duas visões de mundo parecem incapazes de dar um sentido satisfatório aos fenômenos da nossa existência. Enquanto uma submete o mundo material a regras transmitidas por líderes religiosos que falam em nome de Deus, a outra suprime a espiritualidade e descarta tudo que não pode ser explicado pela lógica newtoniana. Nesse contexto, surge uma nova e integradora visão de nossa existência e da nossa origem com base nos princípios da física quântica, apresentada por Amit Goswami nesta obra...
Capa comum: 264 páginas  Editora: Editora Alta Books; Edição: 1ªª (21 de junho de 2019)  ISBN-10: 8550806153  ISBN-13: 978-8550806150  Dimensões do produto: 17 x 1,5 x 24 cm

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Leia trecho do livro

Dedico este livro aos ativistas
quânticos do mundo — no
passado, presente e futuro.
Nós vamos transcender.

Sumário

Agradecimentos
Introdução

  1. Um choque entre duas visões de mundo
  2. Consciência e a ciência da experiência
  3. A física do sutil
  4. Zen e física quântica
  5. Pensamento, sentimento e intuição
  6. O mundo dos arquétipos
  7. O ego e o self quântico
  8. Livre-arbítrio e criatividade
  9. Involução e evolução
  10. Um conto sobre dois domínios
  11. O princípio criativo
  12. Reencarnação quântica
  13. O significado e o propósito da vida
  14. O significado dos sonhos
  15. Iluminação
  16. Profissões espirituais; sociedade espiritual

Glossário
Leituras complementares

Agradecimentos

Agradeço à Voice por ter me convidado para ir a Tóquio e a Masumi Hori pelos diálogos que mantivemos. Agradeço a Tatiana Hill pela transcrição das gravações dessas entrevistas. Agradeço a Eva Herr pela entrevista que fiz com ela e com vários outros jornalistas, cujos nomes não recordo, por suas contribuições. Agradeço a Judith Greentree por ter lido minuciosamente o manuscrito e por alguns comentários bem-humorados que incorporei ao livro. Agradeço de coração a Sara Sgarlat, Mimi Hill e Terry Way por suas contribuições. Agradeço à equipe editorial da Hampton Roads pelo maravilhoso trabalho de produção. Agradeço a todos vocês.

Introdução

Passaram-se quase cem anos desde a formulação matemática completa da física quântica. Ela foi apurada por milhares de experimentos e seus conceitos foram aplicados com êxito em muitas tecnologias. Com efeito, começamos a usar a palavra “quântico” em nosso dia a dia, no geral sem compreendermos plenamente o seu sentido mais profundo. Ainda assim, apesar de sua efetiva integração em nossa sociedade, a visão de mundo quântica ainda não foi aceita totalmente pela comunidade científica, que continua a abraçar e a defender a arcaica visão de mundo newtoniana. Por isso, as implicações plenas da visão de mundo quântica ainda não penetraram a mente do público. A boa notícia é que na década de 1990, graças ao esforço de um grupo vanguardista de cientistas renegados, dentre os quais me incluo, a visão de mundo quântica começou a amadurecer e a estruturar um novo e abrangente paradigma científico. Um movimento de base conhecido como “ativismo quântico” passou a remover o jugo da física newtoniana sobre o establishment científico apelando diretamente às pessoas. Este livro faz parte desse movimento e é a mais recente e acessível explicação da visão de mundo quântica.

Uma parte do estrago é fruto das circunstâncias. O paradigma newtoniano predominante sempre esteve repleto de paradoxos. Conhecida oficialmente como materialismo científico, essa visão de mundo propunha que tudo existe como mero fenômeno da matéria — movimento material no espaço e no tempo, causado por interações materiais. Os paradoxos implícitos nessa visão nunca foram resolvidos. Só nas décadas de 1980 e 1990 é que o materialismo científico foi submetido a um escrutínio sério por parte da comunidade científica, motivado por novos dados experimentais. Anteriormente, a visão de mundo do materialismo científico esteve muito apoiada na mudança da física, que se afastou de uma abordagem europeia de viés filosófico e se aproximou da visão norte-americana, mais pragmática, que se instalou após a Segunda Guerra Mundial. Antes da década de 1950, o materialismo científico achava-se firmemente entrincheirado em duas únicas disciplinas: a física e a química — era a ciência dos objetos inanimados. Depois dos anos 1950, ele começou a dominar também a biologia (que se tornou química), a área da saúde (que se tornou quase “mecânica”) e finalmente a psicologia (que se tornou neurociência cognitiva).

A outra parte do estrago foi o entusiasmo inadvertido de cientistas bem-intencionados que encerraram, o mais rápido possível, as discussões em torno do significado da física quântica. Assim, chegou-se a um consenso, que ganhou o apelido famoso (eu diria infame) de Interpretação de Copenhague. Essa interpretação foi desenvolvida pelo famoso e cordial Niels Bohr, venerado por todos os cientistas (entre os quais me incluo).

O elemento central da Interpretação de Copenhague chama-se “princípio da complementaridade”, que, em sua forma popular, está simplesmente errado, seja na esfera teórica, seja na experimental. A matemática quântica é categórica em afirmar que objetos quânticos são ondas. Claramente, porém, os experimentos indicam que eles também são partículas. Como o mesmo objeto pode ser tanto onda — algo que se espalha —quanto partícula — algo que percorre uma trajetória definida? A forma popular do princípio da complementaridade resolve o paradoxo onda-partícula alegando que os objetos quânticos são tanto ondas como partículas. O aspecto de onda revela-se em experimentos de mensuração de ondas; o aspecto de partícula revela-se em experimentos de mensuração de partículas. Mas ambos nunca aparecem no mesmo experimento, sendo, portanto, chamados de complementares.

Entretanto, a resposta correta para o paradoxo da dualidade onda-partícula, em termos teóricos e experimentais, é esta: os objetos quânticos são ondas de possibilidade que residem num domínio da realidade situado além do espaço e do tempo, chamado domínio da potencialidade. Sempre que medimos esses objetos, eles se revelam como partículas no espaço e no tempo. Assim, tanto o aspecto de onda quanto o de partícula de um objeto podem, de fato, ser detectados em um único experimento. Infelizmente, a versão do princípio da complementaridade que se popularizou, criando a impressão de que tanto o aspecto de onda quanto o de partícula de um objeto existem no espaço e no tempo, induziu em erro uma ou duas gerações de físicos, levando-os a fechar a mente para os elementos realmente radicais da física quântica. Com efeito, a física quântica afirma uma realidade em dois níveis, não a realidade de um único espaço-tempo da física newtoniana e do materialismo científico. De mais a mais, a física quântica não pode se desvencilhar dos paradoxos sem invocar explicitamente a consciência.

Naturalmente, foi o papel da consciência que manteve vivo o paradoxo — não nos meios dominantes, mas numa espécie de underground. Na década de 1980, um experimento realizado por Alain Aspect e seus colaboradores resolveu a questão de um domínio dual versus um domínio único da realidade, discernindo o domínio da potencialidade do domínio do espaço e do tempo. No primeiro, não é necessário um sinal para haver comunicação; tudo está interligado instantaneamente.

No segundo, ao contrário, são sinais — movendo-se a uma velocidade que nunca ultrapassa a velocidade da luz — que medeiam a comunicação, que sempre ocorre num tempo finito.

O que significa dizer que o domínio da potencialidade está interligado instantaneamente? Apenas isto: tudo, no domínio da potencialidade, é uma entidade. Em um trabalho científico publicado em 1989, e depois em 1993 no livro O universo autoconsciente, cheguei a uma proposição que resolve o paradoxo: o domínio da potencialidade é a nossa consciência, não na forma da consciência-ego ordinária, mas como uma consciência superior, na qual somos todos um. Na percepção-consciente ou awareness* manifestada, tornamo-nos separados, em parte, pela necessidade de distinção de outros objetos (a distinção sujeito-objeto), e, em parte, devido a nosso condicionamento individual. Também propus que essa consciência Una superior é demonstrada pela causação descendente — a capacidade de escolher dentre as diversas facetas de uma onda de possibilidade. A escolha consciente é que transforma ondas de possibilidade em partículas da experiência manifestada.

O filósofo e cientista Willis Harman, então presidente do Instituto de Ciências Noéticas [Institute of Noetic Sciences — ioNs], apoiou bastante meu trabalho. Convidou-me a escrever uma monografia sobre minha pesquisa. Em pouco tempo, a nova pesquisa criou uma nova ciência — a “ciência dentro da consciência”, uma expressão que, graças a Harman, descobri já estar em voga na época. A monografia com esse mesmo nome foi publicada pelo IONS em 1994.

O progresso nesse campo foi rápido, sempre acompanhado por estranhas coincidências de sincronicidade junguiana. Primeiro, uma senhora de idade me telefonou durante um programa de rádio ao vivo e me fez a seguinte pergunta: O que acontece quando morremos? Eu não sabia como responder sem recorrer a clichês culturais, e por isso fiquei quieto. Posteriormente, um teosofista — alguém que acredita em reencarnação — fez um curso comigo por causa do meu livro, mas sempre acabava falando em reencarnação. Não muito depois, tive um sonho no qual acordei lembrando-me desta recomendação: o Livro tibetano dos mortos está correto; cabe a você provar isso. Finalmente, uma aluna de pós-graduação em filosofia me procurou e me pediu para ajudá-la em seu luto, para superar o impacto da morte de seu namorado. Enquanto conversava com ela e tentava teorizar sobre o que sobrevive à morte física, comecei a enxergar a possibilidade de uma ciência de todas as nossas experiências — sensação material, sentimento vital (energia), pensamento mental (significado) e intuição supramental (arquétipos como amor e verdade). A partir disso, desenvolvi uma teoria sobre a vida após a morte e a reencarnação. Pouco depois, recebi um telefonema do escritor e editor Frank de Marco, pedindo-me para escrever um livro sobre minha pesquisa mais recente. Ele foi publicado em 2001 com o título A física da alma.

A biofisica Beverly Rubik me procurou em 1998, pedindo-me para contribuir com um artigo sobre minha pesquisa para uma antologia que ela estava compilando. Em 1999, uni-me a um grupo de trinta pensadores do novo paradigma numa conferência com o Dalai Lama em Dharamsala, na Índia. A certa altura, o encontro ficou turbulento. Primeiro, o fisico Fred Alan Wolf e eu travamos uma batalha verbal a respeito da abordagem correta para o novo paradigma. Outros entraram na discussão e os organizadores foram se queixar com o Dalai Lama. Ele apenas riu e disse: “Cientistas sempre serão cientistas”. Depois que a paz se restabeleceu, o Dalai Lama nos pediu para aplicar nosso novo paradigma a questões sociais. Isso chamou minha atenção. Quando voltei aos Estados Unidos, escrevi o artigo que Beverly Rubik havia pedido, aplicando a fisica quântica à saúde e à cura. Nele, desenvolvi uma teoria daquilo que Deepak Chopra chamou de “cura quântica” — cura espontânea, sem intervenção médica.

Mais ou menos nessa época, visitei o Brasil, onde um jovem me perguntou se eu conhecia Deepak Chopra. Quando disse que não, ele respondeu: “Posso corrigir isso”. Pouco depois, recebi um convite para visitar Deepak em San Diego. Ele acabara de publicar seu livro Saúde perfeita (2000), que trata da ayurveda, um sistema alternativo de cura criado na Índia. Deu-me um exemplar e me pediu para lê-lo. Em função disso, acabei por provar a validade científica de uma ideia que os doutores da medicina alternativa têm usado há milênios. Dado que somos mais do que nosso corpo físico, as doenças em nosso corpo “sutil” também podem ser responsáveis por doenças físicas, especialmente doenças crônicas. Com isso, a cura pode se dar não só mediante o tratamento dos sintomas físicos, mas também pela cura da doença em sua origem mais sutil.

Os praticantes das ciências de cura, física e mental, lidam com seres humanos de verdade. Por isso, nem sempre aprovam com entusiasmo o modelo alopático da medicina — o modelo mais “mecânico” que se desenvolveu a partir do materialismo científico. Quando escrevi O médico quântico (2004), que fala da integração entre medicina “mecânica” convencional e medicinas alternativas mais humanas, a visão de mundo quântica começava a ganhar força entre praticantes de medicina alternativa e até mesmo entre alguns alopatas de vanguarda. Deepak ficou tão entusiasmado com o livro que escreveu o prefácio de uma edição posterior.

A medicina baseia-se na biologia. Para afrouxar o jugo exercido pelo materialismo científico sobre a medicina, precisamos introduzir a consciência na biologia. Comecei a trabalhar nisso na década de 1990 e em 2008 propus uma teoria científica da evolução baseada na consciência, em meu livro Evolução criativa. Essa teoria explica as lacunas fósseis e a “flecha biológica do tempo”, conceitos necessários para que a evolução passe da simplicidade para a complexidade — dois dados importantes que o darwinismo e suas ramificações não conseguem explicar. Em Evolução criativa, também integrei ideias de Sri Aurobindo e de Teilhard de Chardin sobre o futuro da humanidade a uma abordagem científica. Vali-me de ideias desenvolvidas por Rupert Sheldrake sobre campos morfogenéticos (espécie de matrizes para a criação de formas biológicas), reunindo tudo sob o guarda-chuva da ciência dentro da consciência.

O establishment científico, porém, tem sido muito resistente à influência da física quântica, embora —graças ao trabalho empírico sobre epigenética e a livros populares de biólogos como Bruce Lipton, Mae Wan Ho e outros — a biologia quântica esteja ganhando terreno pouco a pouco.

Em 2009, dispus-me a acelerar essa mudança de paradigma fundando um movimento chamado “ativismo quântico”. Minha meta era popularizar a visão de mundo quântica reunindo um grupo de pessoas dedicadas a transformar a si mesmas e à sociedade por meio da prática de princípios quânticos. O movimento recebeu certa atenção não só nos Estados Unidos como no Brasil, na Europa, na Índia e no Japão, e até mesmo no Oriente Médio. Em 2014, fui ao Japão para ter longas conversas sobre visão de mundo quântica e ativismo quântico com um erudito filósofo e empresário japonês, Masumi Hori. Este livro baseia-se sobremaneira nessas conversas. A elas acrescentei outras entrevistas, principalmente uma que tive com a escritora Eva Herr.


*No original, awareness. Não há uma tradução exata em português. O termo é comumente traduzido como “consciência”, “percepção” ou “atenção”. Em muitas publicações, awareness é mantido em inglês, pois tem um sentido mais amplo que o de “consciência”: refere-se a um “estado de alerta” que compreende, inclusive, a consciência da própria consciência. É também um conceito-chave da Gestalt-terapia. Segundo Clarkson e Mackewn, awareness é “a habilidade de o indivíduo estar em contato com a totalidade de seu campo perceptual. É a capacidade de estar em contato com sua própria existência, dando-se conta do que acontece ao seu redor e dentro de si mesmo; é conectar-se com o meio, com outras pessoas e consigo próprio; é saber o que está sentindo, significando ou pensando, saber como está reagindo neste exato momento. Awareness não é apenas um exercício mental: envolve todas as experiências, sejam elas fisicas, mentais, sensórias ou emocionais. É a totalidade de um processo que empenha o organismo total” (Fritz Perls. Londres: Sage, 1993, P. 44-45). Apesar de as palavras “percepção” e “consciência” não abarcarem, isoladamente, a essência do termo inglês, neste livro optou-se por traduzir awareness pela palavra composta “percepção-consciente”, no intuito de aproximá-la de seu sentido pleno, deixar bem marcadas todas as ocorrências no texto e facilitar a compreensão do leitor de língua portuguesa. [N. de E.]

capítulo 1

Um choque entre duas visões de mundo

Volta e meia as pessoas me perguntam: Se as coisas não são feitas de matéria, então do que tudo é feito? E eu respondo: Consciência, tudo é feito de consciência. Mas a consciência é um conceito confuso, nebuloso! E é aqui que a física quântica apresenta a resposta que estamos procurando. Pois, numa visão de mundo quântica, tudo é confuso — até a matéria. Tudo é possibilidade antes de fazer parte da nossa experiência.

Mas se isso é tão evidente, por que os cientistas discutem o assunto? Com efeito, eles ainda discutem todo tipo de coisa: A base de tudo é a matéria ou a consciência? O que significa sermos humanos? Deus existe? Apesar de essas questões serem importantes, em nosso mundo cotidiano o que mais importa são os valores. A maior falha da visão de mundo materialista é que ela denigre valores arquetípicos — amor, verdade, justiça, beleza, bondade, abundância — e os significados que extraímos desses valores. No entanto, para a maior parte da população mundial, valores como o amor ainda são importantes. A física quântica, por seu lado, traz consigo uma nova visão de mundo que pode devolver valor e significado à nossa vida, proporcionando respostas a perguntas como “quem somos” e “o que significa sermos humanos”.

Ceda vez, alguém me perguntou se eu via alguma semelhança entre a teoria quântica e a teoria do universo. Essa é, de fato, uma boa pergunta. A teoria quântica resultou da observação de objetos minúsculos do mundo material — o mundo submicroscópico. Por outro lado, a teoria do universo visa explicar um mundo em grande escala. Como ambas podem se relacionar? Na teoria quântica da consciência, os aspectos macroestruturais do universo físico perdem muito de seu interesse. A cosmologia moderna — graças, em boa parte, à ciência materialista — evitou lidar com o mundo interno da consciência, e por esse motivo ela parece não ter relação alguma com os problemas reais que nos ocupam o tempo todo. Mas os conceitos da cosmologia moderna são meras distrações, não muito diferentes da preocupação dos pensadores cristãos medievais em descobrir quantos anjos podiam dançar sobre a cabeça de um alfinete.

Acho interessante notar que os materialistas científicos costumam propor seus próprios deuses, tão excitantes. Todo o conhecimento exótico que temos hoje acerca do espaço exterior tornou-se um substituto moderno para os deuses das antigas religiões — desde os arquétipos de Platão até os anjos do cristianismo e os deuses hindus, mais humanos, como Shiva. Em seu lugar, hoje em dia, invocamos buracos negros e matéria escura na tentativa de substituir os arquétipos e deuses de eras anteriores. A ciência moderna simplesmente ignora a consciência e concentra-se numa ideia de universo que substitui arquétipos e valores por conceitos modernos como buracos negros e buracos brancos, ou matéria escura e energia escura.

Devemos reconhecer que a ciência deve sempre consistir em três componentes. Precisa basear-se numa teoria. Essa teoria precisa ser averiguável mediante dados experimentais. E essa teoria precisa ser útil. Precisa ser aplicável a assuntos humanos. Enquanto os estudos da consciência estão produzindo agora temas dignos de investigação tecnologicamente úteis e experimentalmente verificáveis, a ciência materialista moderna envolve-se mais e mais com objetos de investigação inúteis e não averiguáveis. Assim, temas que antes eram considerados mais esotéricos e menos científicos estão se tornando mais úteis e mais científicos. Ao mesmo tempo, aquilo que antes era ciência pragmática está se tornando mais abstrata e menos útil, assemelhando-se mais às antigas tradições espirituais. E as tradições espirituais estão se parecendo mais com a ciência.

O que é consciência?

Os materialistas científicos tendem a tratar a consciência como um pressuposto linguístico. Temos sujeitos e predicados na língua, mas a ciência afirma que podemos viver sem os sujeitos. Como exemplo, citam a língua hopi, que não tem sujeitos nem predicados, apenas verbos, eliminando a necessidade da consciência, exceto como elemento linguístico. Sem sujeitos — sem a consciência — tudo é matéria e manifestação da interação material. Hoje, essa é a visão de mundo dominante entre os cientistas.

Se você pedir a um médico para definir consciência, é provável que ele diga, sem titubear, que é o oposto do coma. Uma jornalista me contou como reagiu a essa forma de declaração: “Eis-nos aqui, envolvidos com problemas enormes como aquecimento global, crise econômica e polarização política… tudo porque não conseguimos nos entender sobre o significado de uma palavra como consciência. E sequer estamos cientes de que não há entendimento”.

Evidentemente, para muitos médicos, percepção-consciente (awareness) e consciência são sinônimos, mesmo cem anos depois de Freud. Os médicos raramente leem textos psicanalíticos, e, quando o fazem, rejeitam boa parte deles. Como a mente inconsciente pode ser validada se a consciência não está presente num paciente em coma? Mas a consciência nunca vai embora. Quando estamos inconscientes — em coma, por exemplo —, talvez não façamos ideia do que acontece à nossa volta; não vivenciamos o que está acontecendo conosco, como sujeitos olhando para objetos. Mas ainda temos consciência. O que Freud realmente quis dizer é que, apesar de haver uma diferença entre percepção-consciente e a falta desta, ambas são estados da consciência. No primeiro estamos cientes da divisão sujeito-objeto; temos uma experiência com dois polos: o sujeito (o experimentador) e o objeto (o experimentado). No estado inconsciente, porém, não temos percepção-consciente dessa divisão. Por meio da psicanálise podemos explorar como os processos mentais que ocorrem no inconsciente — dos quais não temos ciência — estão nos incomodando em nosso estado de percepção-consciente em vigília. Segundo Freud, deveríamos tentar identificar e compreender esses processos inconscientes a fim de funcionarmos bem em termos mentais.

A consciência é um aspecto fundamental de nossa natureza, mas de difícil definição — pelo menos, em termos imediatos. Podemos perceber alguns aspectos e atributos da consciência, mas isso é tudo o que podemos fazer. Como, em última análise, segundo a visão de mundo quântica, a consciência é a base de toda a existência, qualquer definição que possamos propor terá lacunas. A consciência é tudo o que existe. Portanto, qualquer definição que você tente lhe dar será falha porque a definição, em si, é um fenômeno da consciência, e não o contrário.

Agora, vamos voltar à questão fundamental com que começamos: Do que tudo é feito? Excetuando-se a psicanálise, existe alguma razão convincente para escolhermos entre consciência e matéria para responder a essa pergunta? Felizmente, hoje podemos refutar cientificamente a visão de mundo materialista. Em teoria, podemos fazê-lo demonstrando paradoxos: os “nós lógicos” do pensamento; na prática, podemos fazê-lo mediante dados anômalos. As sutilezas verbais tornaram-se desnecessárias.

A interação material tem certas propriedades. Uma delas é que todas as interações, todas as comunicações, dão-se por meio de conexões — sinais que percorrem o espaço e o tempo. Hoje, todavia, até estudantes de fisica podem observar comunicações sem sinal entre objetos quânticos submicroscópicos. E os trabalhos que alguns fisicos quânticos estão fazendo provam, de modo conclusivo, que não podemos compreender a física quântica sem nela inserir a consciência causalmente potente — sem introduzir não só a consciência, mas a consciência não material com poder causal. Do contrário, teremos paradoxos.

O poder causal da consciência — a causação pela escolha consciente que da potencialidade se manifesta em experiência — parece-se muito com a antiga ideia cristã da causação descendente por Deus. Mas isso não é totalmente verdadeiro, embora seja tão próximo que faz soar sinetas de alarme nas mentes enclausuradas dos materialistas. O importante é que a nova visão da causação descendente não material envolve a comunicação não local, e não a comunicação por sinais. A comunicação local passa pela localidade para atingir lugares distantes, como quando nos comunicamos por meio de sons; o som é um sinal local. Quando nos comunicamos sem sinais, como na telepatia mental, temos algo não local.

Com o conceito da não localidade, temos uma consequência experimentalmente comprovável de uma metafísica baseada na consciência. Interações materiais comportam-se localmente e requerem sinais. Quando a consciência interage com o mundo, não requer sinais, apenas comunicação não local. E certo que esse tipo de comunicação parece subjetivo. Mas experimentos objetivos realizados desde 1982 têm mostrado que há, com efeito, interações não locais no mundo. Logo, o materialismo científico — baseado apenas em interações materiais — é descartado experimentalmente. Em seu lugar, podemos estabelecer, por meio de experimentos, a ideia de que existe um novo tipo de interação não material no mundo. Temos um novo tipo de causação: a capacidade causal da consciência.

Comunicação sem sinal

Nos séculos mais recentes, a ciência materialista andou bastante ocupada decifrando os mistérios da matéria. E, com efeito, desenvolveu tecnologias necessárias para que nossa civilização sobrevivesse e prosseguisse. Essas tecnologias também tiveram desdobramentos ruins. Não podemos mais nos dar ao luxo de tolerar essas consequências negativas — nem precisamos fazê-lo. As mais profundas questões científicas da atualidade concentram-se nas macroestruturas da cosmologia, e são quase inúteis. Qual o uso prático do estudo de buracos negros? Não podemos verificá-los experimentalmente, e parece que sua pesquisa não tem sentido. Assim sendo, por que gastamos tanto tempo os estudando?

Por outro lado, temos problemas a granel no mundo: mudanças climáticas globais, terrorismo e violência, colapsos econômicos e cobiça corporativa, pessoas desempregadas ou presas a trabalhos sem sentido, políticos monopolizando o poder e desempoderando pessoas, polarização política, o custo astronômico dos planos de saúde convencionais, uma educação que reforça dogmas e ideologias sem estabelecer exemplos vivos dos valores que pregam. A solução para todos esses problemas exigirá uma mudança na postura mental do planeta, uma mudança em nossa consciência coletiva. Portanto, precisamos desenvolver uma abordagem diferente, afastando-nos do atual paradigma científico e adotando um paradigma que inclua a consciência, que tenha a capacidade de integrar o poder da consciência em nossa vida cotidiana.

Precisamos admitir que, quando convocado a explicar a consciência, o modelo de mundo materialista falha desde a base da explanação. Objetos, objetos materiais, só podem originar outros conglomerados de objetos materiais. Os objetos nunca podem produzir um sujeito — e isso é que é a consciência humana. Somos sujeitos olhando para objetos, olhando para o mundo, formulando opiniões sobre o mundo. Aqueles que dizem que essas opiniões provêm da dança de partículas elementares no nível básico estão simplesmente enganando a si mesmos. Estão ignorando a existência de significado e de valores. Estão negando que exista eficácia causal no nível da consciência humana – no mais alto nível. Sem valores não pode haver civilização. Portanto, toda a nossa civilização está em perigo se aceitamos a palavra dos cientistas materialistas quando afirmam que a matéria é a base de toda a existência. A física quântica, em contraste, sugere uma visão de mundo na qual a consciência, e não a matéria, é a base de toda a existência. Sugere um mundo no qual significado e valor podem ser reintroduzidos na ciência como aspectos da consciência além da matéria. Essa é a nova postura diante da ciência, uma postura necessária para a nossa sociedade.

Os cientistas convencionais adotaram uma posição muito interessante diante dessa crítica: a negligência benigna. Eles esperam desacreditar essa nova postura com seu silêncio, privando proponentes, como eu mesmo, de uma oportunidade para discutir a questão. Todavia, se a ciência convencional prefere ignorar o trabalho dos ativistas quânticos, vamos usar o tempo para desenvolver uma nova ciência sem as interrupções da controvérsia. Como resultado, dispomos de uma ótima teoria da consciência baseada na física quântica. Graças a pesquisadores experimentais, também temos muitos dados corroboradores.

O materialismo científico baseia-se num conceito chamado “dualismo” — a noção de que qualquer coisa que não seja material deve existir como objeto separado — como principal justificativa para negar o papel da consciência e de todas as outras experiências “internas”. O dualismo suscita uma pergunta: Como objetos materiais e não materiais podem interagir? Pense nisso. Se matéria e não matéria nada têm em comum, ambas precisam de um mediador, de um sinal, para interagir; alguma coisa que as “conecte”. Esse tem sido um osso duro de roer para os apoiadores dos seres não materiais. A resposta da física quântica é a comunicação sem sinal, a não localidade, no jargão técnico. No espaço e no tempo é impossível haver uma comunicação sem sinal; por isso, a comunicação deve se valer de outro domínio da realidade, situado fora do espaço e do tempo. Segundo a física quântica, trata-se do domínio da potencialidade. Se isso for verdade — e os experimentos dizem que é —, então todos os argumentos materialistas contra o dualismo se esvaem, devolvendo valor e significado à espiritualidade, à religião, às artes e às ciências humanas, até mesmo à própria consciência. E se o dualismo vai embora, os objetos não materiais podem se comunicar com objetos materiais e com outras variedades de objetos não materiais, porque não é preciso sinal para que se comuniquem dentro do domínio da potencialidade (também conhecido como consciência).

A física quântica força-nos a concluir que o domínio da potencialidade é, na verdade, a própria consciência. Ademais, mostra-nos que a comunicação entre aqueles que parecem ser dois objetos distintos, mente e matéria, é mediada pela consciência. Essa é a essência do paradigma quântico.

Às vezes, os materialistas procuram desacreditar a ideia de que a física quântica, a não localidade quântica, pode afetar fenômenos no nível macro de nossa experiência. Agora, porém, temos o apoio de muitos experimentos em diversos campos — física, biologia, psicologia e medicina — para sugerir que existe um domínio não local, mesmo no nível macro. Esses experimentos conferem apoio à alegação de que a comunicação sem sinal ocorre de fato, não só no mundo microscópico como também no mundo macro da matéria e da experiência humana. Como os alicerces de seus argumentos estão desaparecendo, os cientistas convencionais estão adotando cada vez mais o ponto de vista quântico. Apesar de muitos ainda não lidarem com os aspectos “estranhos” da física quântica (como a não localidade), aqueles que o fazem estão se tornando mais receptivos a discussões acadêmicas sobre a teoria.

O parapsicólogo Dean Radin apoia a visão de mundo quântica e realizou alguns experimentos interessantes usando um gerador de números aleatórios para dar suporte a essa nova perspectiva. O gerador de números aleatórios converte eventos aleatórios de desintegração radiativa em grupos aleatórios de zeros e uns com a ajuda de um computador. Radin levou esses geradores de números aleatórios até lugares onde havia pessoas meditando. Ele descobriu que, na presença desses meditadores, o comportamento dos geradores de números aleatórios ficava significativamente menos aleatório do que seria esperado em termos estatísticos. Radin sugeriu que o gerador de números aleatórios deveria se desviar ao máximo da aleatoriedade na presença de intenções coerentes. E ele comprovou essa ideia não só com pessoas num ambiente de meditação, mas com pessoas assistindo a uma partida do Super Bowl. Nessas situações, Radin descobriu que a intenção causava efetivamente um desvio da aleatoriedade.

Em situações nas quais as pessoas estavam distraídas, sem qualquer intenção específica, os geradores de números aleatórios comportavam-se normalmente. Por exemplo, numa sala de reuniões de executivos ou numa reunião de professores universitários, os geradores de números aleatórios produziam de fato conjuntos de zeros e uns. Numa sala de meditação, isso não acontecia. Isso confere suporte à nova visão da física quântica, segundo a qual a intenção consciente pode afetar resultados. Mostra a presença da escolha consciente, que, é óbvio — como disse Gregory Bateson há muito tempo —, é o oposto da aleatoriedade. Os antagonistas da visão de mundo quântica ainda precisam se entender com dados experimentais como esse.

Polarização e integração

No mundo de hoje, não precisamos de polarização; precisamos de integração. Embora não fique tão evidente noutros lugares, nos Estados Unidos a polarização entre ciência e religião paralisou completamente o processo político. Como a polarização entre ciência e religião contaminou a política? E simples.

Por um lado, há pessoas que querem valores, que temem a possibilidade de o materialismo científico tomar conta da sociedade como um todo, deixando-a sem uma bússola moral. Elas preferem viver sem a ciência a viver sem seus valores. E há os materialistas, que justificam um estilo de vida hedonista com o materialismo científico e a filosofia existencial. Conservadores que antes representavam o caráter sólido e a integridade moral tomaram partido da arcaica visão de mundo do cristianismo fundamentalista e voltaram-se contra a ciência em vez de se mostrarem a favor dos valores. Por conta deles, corremos o risco de sermos levados a um lugar no tempo em que as elites religiosas e políticas ditavam a moralidade. Em paralelo, os liberais, antes criativos e de cabeça aberta, que apoiavam a ciência porque ela prometia nos libertar de todos os dogmas, passaram a confiar no materialismo científico, ele próprio um dogma, apoiando um tipo distinto de elitismo no qual conhecimento e informação são o poder. Pessoas que têm esse poder e o monopolizam são a nova elite.

Mas a ciência deveria ser livre de dogmas. Ciência é uma metodologia. Primeiro, você tem uma teoria; depois, você tem dados experimentais; depois, você aplica a teoria e os dados. Mas como podemos implementar essa metodologia se um dogma interfere no processo? De um lado, você tem a teoria da evolução, incompleta e divisiva: o darwinismo. De outro, você tem os criacionistas, fundamentalistas cristãos que usam ideias bíblicas arcaicas para se opor à ciência. Os dois lados estão envolvidos numa batalha dogmática que impede a ciência de seguir em frente. E há pessoas sofrendo por causa disso.

A ciência convencional tentou ridicularizar e suprimir os dados que dão suporte à não localidade em nossas experiências no mundo macro. Ela rotula esses fenômenos de “paranormais” e refuta a teoria da consciência com base quântica por meio de sofismas. Ativistas quânticos afirmam que é impossível compreender a física quântica sem introduzir a consciência no contexto. Mas os materialistas citam outras maneiras plausíveis de eliminar os paradoxos da física quântica. Eles tratam a teoria baseada na consciência como mais um item numa longa lista de soluções propostas. Nem se preocupam com o fato de que, sob exame mais atento, todas essas outras soluções aparentemente plausíveis não são comprováveis, enquanto a solução com base na consciência já satisfez o critério de comprobabilidade. O caráter científico como um todo está mudando sob a égide materialista, tornando-se “livre de fatos”, que é como eu o trato jocosamente. Muitos cientistas famosos apresentaram teorias que nunca foram verificadas, e que provavelmente nunca serão.

Como podemos resolver a batalha dos dogmas? A solução é simples: física quântica e uma visão de mundo quântica. A física quântica está conosco há quase cem anos. Nós a exploramos e passamos um tempo imenso tentando compreender sua mensagem. Desde o início, ficou claro que a visão de mundo newtoniana, o materialismo científico, não se sustentaria diante das descobertas da física quântica. E, no entanto, ainda não conseguimos resolver o dilema. Depois da Segunda Guerra Mundial, quando o poder da ciência se deslocou da Europa, mais centrada na filosofia, para a América, pragmática e de mentalidade prática, a mensagem da física quântica perdeu-se em favor da filosofia do materialismo científico, aparentemente mais prática.

Metafísica experimental

Eu era bem jovem e ainda me dedicava à física tradicional quando a física quântica voltou a se fazer notar num cenário cultural mais amplo. Lembro-me de certa empolgação, na década de 1970, quando foi lançado o livro O tao da física e o slogan “Nós criamos nossa própria realidade” entrou em cena. Na verdade, chegamos até a realizar ao menos uma conferência anual sobre as questões filosóficas da física quântica. Mas as questões filosóficas nunca foram resolvidas por falta de dados experimentais. Na década de 1980, surgiu a comprovação experimental da estranheza quântica, e voltamos com entusiasmo às questões filosóficas. Foi então que percebemos que alguns dos paradoxos mais profundos da visão de mundo quântica — algumas de suas “estranhezas” lógicas — nunca seriam resolvidos se abordados através das velhas lentes do materialismo científico.

A solução exigiria uma nova metafisica que também pudesse ser constatada experimentalmente. O filósofo Albert Shimony chamou esse novo avanço de “metafisica experimental”. Na nova metafisica, a consciência é a base da existência. Esta é uma ideia metafisica, mas que pode ser submetida a testes experimentais. E o teste é bem simples. Se a matéria é a base da existência, não pode existir algo como a comunicação sem sinal — a não localidade. Por outro lado, se a consciência é a base de toda a existência, a comunicação sem sinal precisa ocorrer, mesmo no mundo macro de nossa experiência. Atualmente, temos provas abundantes disso.

Contudo, sejamos claros. Digo que o materialismo científico é um dogma devido às suas convicções de que a matéria é tudo. Segundo essa lógica, porém, a crença de que a consciência é tudo também não seria um dogma? Seria, não fosse por uma diferença importante: a visão de mundo quântica é inclusiva. Ela não exclui a possibilidade ou a eficácia do mundo material. Ela coloca tanto a consciência quanto a matéria — Deus e o mundo, se preferir — em pé de igualdade.

Por isso, temos de mudar a maneira de ver as coisas. A ciência moderna apresentou explicações científicas para algumas horrendas verdades “malignas” a nosso respeito, seres humanos: temos circuitos cerebrais instintivos emocionalmente negativos; sentimos ódio; somos violentos, competitivos, ciumentos, invejosos e irados porque foi assim que evoluímos. Essa é a negatividade que precisamos compensar; temos de construir circuitos cerebrais emocionalmente positivos. Todavia, de acordo com o materialismo científico, isso não é possível. O materialismo científico nega a existência de valores; nega a validade das experiências intuitivas que nos conduzem aos valores. Nega qualquer criatividade que nos permita formar circuitos cerebrais emocionalmente positivos.

Todavia, sabemos há milênios que a mudança em nós, em nosso futuro evolutivo, precisa nos tornar pessoas melhores, mais amáveis com nossos vizinhos, mais sensíveis à beleza e capazes de distribuir justiça. O movimento da consciência exige isso. São esses aspectos que temos de mudar para compensar nossas falhas evolutivas. Queremos fazer com que os arquétipos platônicos — os valores — manifestem-se em nós para incorporá-los aos nossos circuitos cerebrais. Essa meta pode parecer “não científica” e pode dar a impressão de tendência para o materialista científico; mas e daí? A nova ciência, como veremos, abre espaço para o propósito como forma de provocar mudanças.

Naturalmente, onde há uma meta, há um meio de atingi-la! Tudo que precisamos fazer é seguir a intuição com criatividade. Graças à visão de mundo quântica, sabemos que a criatividade é possível e que ela vai nos ajudar. Pela primeira vez na história da humanidade, temos um propósito claro que não visa negar o mundo: a evolução do próprio mundo rumo à positividade. A maioria das tradições espirituais tende a pensar no mundo material como uma ilusão. Isso não se aplica à visão de mundo quântica, que nos permite manter os elementos positivos das tradições espirituais, mas deixa completamente para trás os aspectos que negam o mundo. O mundo é legítimo; o mundo tem ordem; ele é importante.

Logo, a visão de mundo quântica permite que integremos o melhor do materialismo científico — a importância do mundo — com o melhor das tradições espirituais — a importância da totalidade. Nesse paradigma, podemos unir nossa confiança na ciência, por conta da tecnologia, e nossa confiança nas tradições espirituais, por causa do significado, dos valores e das energias do amor. Esta é a meta do ativismo quântico que satisfaz a alma: mudar a nós mesmos e a sociedade segundo princípios quânticos. Mudando a nós mesmos, chegamos ao crescimento pessoal, à satisfação e ao significado; revolucionando nossos sistemas sociais (política, economia, saúde e cura, educação, religião e ecologia), todos atualmente em crise, salvamos a civilização. Assim, a visão de mundo quântica e o ativismo quântico podem, literalmente, ajudar a nos salvar de nós mesmos.


capítulo 2

Consciência e a ciência da experiência

Introduzi o movimento do ativismo quântico porque o establishment científico e a mídia estão mantendo em segredo os aspectos mais recentes da mudança de paradigma da ciência quântica. O ativismo é necessário para que todos saibam que não precisamos mais nos manter polarizados entre ciência e religião, que a integração entre essas visões do mundo já foi realizada. Também quis demonstrar a eficácia causal da nova visão integradora do mundo para transformar a sociedade. Você pode conhecer a história completa do ativismo quântico em O ativista quântico, um documentário sobre minha obra realizado em 2009.

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