Livro ‘Aprendizados’ por Gisele Bündchen

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Uma oportunidade para conhecer profundamente uma das brasileiras mais respeitadas do século. A caminhada de Gisele Bündchen começou no Rio Grande do Sul, numa casa com cinco irmãs, jogando vôlei e resgatando cães e gatos de rua. Nessa época, a carreira dos sonhos de Gisele estava bem longe das passarelas e mais próxima das quadras de vôlei. Mas, aos 14 anos, numa viagem a São Paulo, o destino interveio e colocou um olheiro em seu caminho. Gisele se tornou um ícone, deixando uma marca permanente na indústria da moda. Porém, até hoje, poucas pessoas tiveram a oportunidade de conhecer a verdadeira Gisele, uma mulher cuja vida privada é o oposto de sua imagem pública. Em Aprendizados, ela revela pela primeira vez quem realmente é e quais ensinamentos, em seus 38 anos, a ajudaram a viver uma vida com mais significado. Uma jornada da sua infância de pés descalços em Horizontina à carreira internacional…

Páginas: 240 páginas; Editora: BestSeller; Edição: 1 (15 de outubro de 2018); ISBN-10: 9788546501274; ISBN-13: 978-8546501274; ASIN: B07HBRQFKS

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Biografia do autor: Gisele Bündchen é uma das modelos mais famosas de todos os tempos. Conhecida mundialmente por seu empreendedorismo, filantropia e ativismo ambiental, já figurou na lista da Forbes entre as mulheres mais poderosas e as celebridades mais generosas do mundo. É Embaixadora da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e foi eleita pela Universidade de Harvard como Cidadã Ambiental Global por seus esforços em favor do meio ambiente. Gisele vive em Boston com o marido, Tom Brady, os filhos e os cachorros. Todos os lucros de Gisele com a venda do livro aprendizados são doados para a Luz Foundation, criada por ela em 2007 com o objetivo de apoiar causas sociais e ambientais.

Leia trecho do livro

Livro 'Aprendizados' por Gisele Bündchen

Para Vivi, Benny e Jack

Obrigada pelo seu amor, por serem a luz da minha vida, por serem os melhores professores e por me permitirem viajar por novos caminhos, descobrindo novos significados e um propósito. Vocês são a minha inspiração diária para fazer deste mundo um lugar melhor. Amo vocês.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1 Tudo começa com a disciplina
2 Desafios são oportunidades disfarçadas
3 A qualidade da sua vida depende da qualidade dos seus relacionamentos
4 Nossos pensamentos e palavras têm poder — use-os com sabedoria
5 Onde você focar sua atenção é onde colherá resultados
6 A natureza: nossa maior professora
7 Cuide de seu corpo para que ele possa cuidar de você
8 Conhecer a si mesmo

AGRADECIMENTOS

INTRODUÇÃO

Livro 'Aprendizados' por Gisele Bündchen
Esta foto foi tirada para meu primeiro book quando eu tinha 14 anos.

Se minha intenção fosse escrever um relato simples e direto da minha vida até agora, a versão editada em cortes rápidos poderia ser esta: Meu nome é Gisele Caroline Bündchen. Trabalho há 23 anos como modelo. Nasci em 1980 e fui criada em Horizontina, uma cidadezinha no sul do Brasil, a uma hora do rio que faz a divisa do país com a Argentina. Sou da quinta geração de brasileiros descendentes de alemães, tanto por parte de mãe quanto por parte de pai. Meus pais falavam alemão um com o outro e português comigo e com as minhas cinco irmãs. Sou uma das filhas do meio e, quando éramos pequenas, minha irmã gêmea Pati e eu ficávamos discutindo para saber qual das duas era a terceira ou a quarta em ordem de idade. Durante a minha infância, queria ser ou jogadora de vôlei profissional ou veterinária. Quando tinha 13 anos, minha mãe, preocupada com a minha má postura — eu já media 1,75m —, me matriculou junto com duas das minhas irmãs num curso de modelo e manequim na nossa cidade. No fim do curso, nós embarcamos numa excursão para Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. A viagem de ônibus pareceu interminável, durou 27 horas. Algumas mães viajaram conosco, incluindo a minha. Num shopping em São Paulo, um homem se aproximou de mim e soltou uma frase que me deixou desconfiada: Você quer ser modelo? Eu gritei “Mãe!”, e ela veio correndo. Mas esse cara — Zeca era o nome dele — era sério, um caça-talentos da Elite Model Management. Quando fomos até o escritório da agência, ele disse para minha mãe que ela devia me inscrever num concurso nacional, o Elite Look of the Year, e foi o que ela fez. Não consegui acreditar quando ganhei o segundo lugar, que veio acompanhado de uma passagem para Ibiza, na Espanha, para eu participar da etapa mundial do Elite Model Look. Foi minha primeira viagem de avião, a primeira vez que saí do Brasil. E acabei ficando entre as dez finalistas. Tudo estava acontecendo muito, muito rápido.

Livro 'Aprendizados' por Gisele Bündchen
Final do concurso Elite Model Look em São Paulo, em 1994. Tinha 14 anos.

Um ano depois, em 1995, mudei para São Paulo para me lançar na carreira de modelo. Tinha 14 anos. Como se pode imaginar, sair de uma cidadezinha de 17 mil habitantes para morar na maior cidade do Brasil foi uma mudança enorme. Depois de passar alguns meses trabalhando em São Paulo, a agência me mandou para Tóquio, no Japão, onde morei durante três meses fazendo fotos como modelo de catálogo. Meu primeiro grande momento aconteceu alguns anos depois, em Londres, quando o estilista Alexander McQueen me selecionou para o desfile de sua coleção prêt-à-porter. Eu desfilei pela passarela sem camisa, assustada, com um top branco pintado no meu corpo no último minuto por uma maquiadora, enquanto uma chuva artificial caía do teto. Depois do desfile de Alexander McQueen, a indústria da moda passou a me chamar de The Body — ou “O Corpo” — e o apelido pegou.

Livro 'Aprendizados' por Gisele Bündchen
Um registro behind-the-scenes de um ensaio fotográfico no Rio de Janeiro, quando eu tinha 16 anos.

Em 1999, trabalhei como modelo para Versace, Ralph Lauren, Chloé, Missoni, Valentino, Armani e Dolce & Gabbana. A revista Vogue me escolheu para representar o fim da era das modelos heroin chie. Naquele ano, fui capa da Vogue francesa e três vezes capa da Vogue americana. A manchete de uma das matérias era “A volta das curvas”. Terminei aquele ano ganhando o prêmio de Modelo do Ano da Vogue. Na primavera de 2000, trabalhei como modelo para Marc Jacobs, Donna Karan, Calvin Klein, Christian Dior, Prada, Valentino e muitas outras grifes renomadas em Nova York, Milão e Paris. De 1998 a 2003, estrelei todas as campanhas de moda da Dolce & Gabbana e, de 2000 a 2007, fui uma das Angels da Victoria’s Secret. Nos últimos vinte anos, apareci em mais de 1.200 capas de revista, quase 450 campanhas publicitárias e participei de cerca de 500 desfiles de moda. Em 2015, optei por reduzir o ritmo da carreira de modelo, porque queria me concentrar mais na minha família e em projetos pessoais. Meu último desfile foi na abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. Percorri a passarela mais longa da minha vida ao som de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim. Foi eletrizante! Aquele momento pareceu ser o ponto culminante de tudo o que tinha vindo antes.


Tudo isso aconteceu — embora eu tenha deixado todos os detalhes de fora. Essa é a história da minha vida pública. Mas tudo o que vivi em público tem pouquíssima relação com quem realmente sou, com o que mais importa para mim, ou com as coisas em que acredito e com o que desejo oferecer para o mundo. O irônico é que, embora eu seja conhecida pelo meu trabalho como modelo, nunca senti que aquela pessoa na passarela, ou nas revistas, ou nos comerciais de TV fosse eu. Na escola, meus colegas debochavam de mim por causa da minha altura, da minha magreza e da minha aparência. Por maior que seja o seu sucesso na vida adulta, não acredito que isso seja capaz de mudar completamente o modo como você se via na infância.

Então, quando comecei a trabalhar, mesmo que a princípio eu tivesse o porte de modelo, me sentia desajeitada. O fato de algumas pessoas da indústria da moda me dizerem que meus olhos eram pequenos demais e que meu nariz e meus seios eram grandes demais reforçava esse sentimento. Aos 14 anos, nada parecia ser mais desagradável ou me fazia sentir mais constrangida do que um estilista me dizendo que eu era bonita, ou um fotógrafo me dizendo como fazer uma pose, ou ainda ouvir um editor comentando sobre o meu corpo, os meus seios, os meus olhos ou o meu nariz como se eu não estivesse lá.

Foi por isso que, por volta dos 18 anos, numa tentativa de me proteger e evitar sofrer ou me sentir como um objeto, eu criei um escudo ao redor de mim mesma. O meu eu privado era Gisele, mas a modelo Gisele era ela. Era como eu a chamava também — ela. Ela era uma atriz. Uma performer. Uma camaleoa. Uma personagem que criei para expressar a fantasia de um estilista. Eu chegava para trabalhar e ouvia o que o fotógrafo queria, o que o estilista queria, o que o maquiador queria. As ideias deles se uniam para criar um clima, e eu, de repente, conseguia ver ela, sentir ela. Trabalhar como modelo era uma forma de explorar todas as facetas da minha personalidade, incluindo aquelas que eu nem sabia que tinha. Sendo ela, podia expressar qualquer emoção, qualquer atitude. Era como se, me desconectando de mim mesma, pudesse ser livre, enquanto mantinha o meu eu verdadeiro escondido e seguro. Ela podia ser sexy ou recatada. Ela podia ser uma soldada ou uma mulher atrevida. Ela podia ser um rosto ou um corpo no meio de dois extremos. Eu não sonhava em ser modelo — quando era pequena, nem sabia que era uma profissão. Eu simplesmente vi o que estava acontecendo comigo como uma oportunidade de ganhar a vida. As portas se abriram — primeiro uma, depois outra —, e entrei por elas. Havia também uma questão prática em jogo. Quando criança, cheguei a ouvir meus pais discutindo por causa de dinheiro. Achei que, se tentasse ser modelo, e até me tornasse boa nisso, poderia ajudar a nossa família. Então decidi aproveitar a chance que estavam me oferecendo e ver o que poderia acontecer.

Mas, em vez de escrever sobre ela, quero me concentrar em quem eu sou. Portanto, neste livro divido alguns aprendizados que me ajudaram a levar uma vida mais consciente e alegre, que me inspiraram a superar cada desafio que enfrentei ao longo dos anos e que me trouxeram uma compreensão mais profunda de mim mesma e do mundo ao meu redor.

Alguns desses aprendizados descobri do jeito mais árduo — por experiência própria. Outros pude observar as pessoas no decorrer dos anos e cheguei à conclusão do que não fazer e de como não agir. Cada capítulo deste livro traz histórias extraídas das minhas próprias experiências, ilustrando meu processo de aprendizado e o que acontecia na minha vida naquele momento. Também tive muitos professores ao longo do caminho. Descobri que a natureza é uma grande professora e uma fonte de cura muito poderosa. Aprendi a prestar atenção à minha voz interior, de quem obtive insights importantes mesmo quando eu não queria ouvir. Aprendi que nossos pensamentos, nossas palavras e ações estão conectados, e por que precisamos ser cuidadosos com eles. Eu comecei a nutrir meu corpo, minha mente e meu espírito através da meditação, de alimentos curativos e de uma visão positiva da vida, e o resultado disso é que fui capaz de experimentar uma clareza mais profunda e um sentido de propósito mais amplo. Espero que, ao dividir minha história, ela possa servir de inspiração e ajuda para outras pessoas que estejam passando por situações semelhantes.

Então, se a modelo de quem falei antes era ela, quem sou eu?

Se tem uma palavra que uso para me descrever é simples. Sou o tipo de mulher que gosta de andar de calça jeans, camiseta e pés descalços. Minha família vai dizer a mesma coisa. Sempre fui aluna da escola da vida, sempre curiosa, sempre querendo saber mais. Naturalmente, quando saí da minha cidade para iniciar a carreira de modelo, passei a experimentar o mundo de novas maneiras. Pelas duas décadas seguintes, comecei o processo de descobrir quem eu era. Como já disse, essa Gisele é muito diferente da minha pessoa pública. Eu nasci numa família trabalhadora de classe média numa cidade no sul do Brasil chamada Três de Maio. Além dos meus pais, havia em casa seis de nós meninas: Raque, Fofa, Pati, Gise (essa sou eu), Gabi e Fafi. Minha mãe, sempre batalhadora, trabalhava como bancária e ainda dava conta de toda a rotina da casa e das filhas. Meu pai era um empreendedor, teve muitas atividades diferentes. Ele estava sempre lendo, aprendendo e criando, e era — e ainda é — um espírito livre de verdade. Hoje atua como palestrante motivacional e sociólogo trabalhando comigo em projetos ambientais.

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Eu bebezinha na minha casa em Horizontina, em 1981.

Tivemos a sorte de crescer tendo uma grande variedade de árvores frutíferas no quintal de casa — abacate, pitanga, pêssego, goiaba, mamão, butiá e três tipos diferentes de bergamota (minha fruta preferida) — que eu colhia e carregava na camiseta dobrada.

Sempre amei a natureza. Sentia que a terra e a areia debaixo dos meus pés, as árvores, as nuvens, os pássaros e os raios de sol faziam parte de quem eu era, sentia que eu era a natureza. Lembro-me do quanto adorava visitar o sítio da minha avó materna, onde ela tirava o leite das vacas, cultivava quase tudo o que comia e fazia as próprias roupas. A vó preparava comidas deliciosas para nós, como as cucas — uma versão alemã do panetone, só que com pedacinhos de morango ou uva no meio da massa —, que eram servidas com nata fresca ainda morna recém-tirada do leite.

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Meu pai e minha mãe (segurando Gabi no colo) e, no meio, Raque e Fofa, no meu aniversário e da Pati (sou eu na frente e à esquerda, de língua de fora), em 1983.

Fui criada na religião católica, e minha mãe nos levava à missa todo domingo. Assim como as minhas irmãs, não gostava muito de ficar sentada naqueles bancos duros ouvindo o padre falar. Mas gostava dos cantos (minha mãe tinha uma linda e poderosa voz de soprano). Também gostava das festas que aconteciam no salão paroquial, onde eu comia qualquer coisa servida pelas senhoras da igreja — salada de repolho, massa e churrasco — com as outras crianças. Ainda adoro as histórias da Bíblia e as ensino aos meus filhos. Mas eu sempre ficava matutando o porquê de tudo e, a certa altura, comecei a questionar o que estavam me ensinando.

Um dia, numa aula de religião, quando tinha uns 12 ou 13 anos, estávamos estudando o Levítico, e levantei a mão. Como a lei “olho por olho, dente por dente” podia existir ao mesmo tempo em que Jesus nos ensinava a amar nossos inimigos e sempre oferecer a outra face? Como isso funcionava? Eu não estava tentando bancar a espertinha, mas aquilo simplesmente não fazia sentido. Em vez de responder à minha pergunta ou iniciar um debate, a professora pareceu surpresa, depois frustrada, e me mandou para a diretoria. Eu não achava que tinha feito nada de errado! (E continuo não achando.)

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À esquerda: Festa de aniversário minha e da Pati em 1987, em Horizontina. Acho que dá para ver como fiquei feliz depois de esperar um ano inteiro para ganhar a Fofura, minha boneca favorita! À direita: Pati e eu adorávamos brincar com os pintinhos na casa da nossa avó, em 1983. Era o meu lugar preferido quando criança.

Por que ela não me deu uma resposta? Se ela não tinha a resposta, quem teria? Meus pais é que não. Minha mãe e meu pai estavam ocupados demais trabalhando enquanto tentavam criar seis filhas. E as perguntas sem respostas iam se acumulando. Quem eu era? Por que eu estava aqui? Como o mundo começou? À medida que as dúvidas aumentavam, também crescia minha resistência a qualquer tipo de sistema que afirmasse: Estes são os fatos, é assim que funciona, e só existe um caminho.

Talvez tenha sido essa busca constante que tenha me levado a ficar fascinada pelo mundo espiritual. Eu rezava à noite para Deus, para minha estrela guia, para os meus anjos da guarda. No início da adolescência, comecei a ler não só sobre religião, mas sobre crenças, metafisica e mitologia. Esses são meus assuntos preferidos até hoje. Em algum momento passei a acreditar que todos nós vivemos num mundo regido por ilusões, e que o meu — o nosso — dever é descobrir quem realmente somos e encontrar nosso propósito individual. Tudo o que vivemos, as coisas boas e as ruins, tem um significado, mesmo quando não conseguimos entender imediatamente qual é. Tudo acontece para que nós possamos aprender e evoluir.

Eu digo aos meus filhos que Deus é uma energia que está por trás da criação de tudo. Deus é visível nas montanhas, nos oceanos, no céu, nas árvores, na luz do sol, na chuva, nos animais e nas estações do ano. Sem a natureza, nada nem ninguém existiria. A natureza é divina e é ela que nos mantém vivos.

Hoje, com 38 anos, sinto que estou diante de uma vida completamente nova — um tipo de renascimento. Meu objetivo agora é continuar a aprender e desenvolver meus talentos para usá-los para ajudar a servir a um bem maior. Acredito que muitas pessoas estejam preocupadas e distraídas com o excesso de informação e de notícias ruins, e espero que este livro sirva como uma ferramenta de inspiração para que se concentrem nos valores internos e espirituais. Quando era mais jovem, não havia como prever o que aconteceria comigo vinte anos depois. Estava ocupada demais vivendo, ocupada demais fazendo escolhas. Uma vez li que, quando olhamos para o nosso passado, podemos ver uma linha narrativa, uma ordem ou um plano, como se fosse algo gerado por uma força invisível, e que os acontecimentos, e até mesmo as pessoas presentes na nossa vida, que pareciam aleatórios ou sem importância num dado momento, se tornam, no fim das contas, indispensáveis para a nossa história. Nossas vidas também desempenham um papel importante nas das outras pessoas. É como se nossas vidas fossem engrenagens de um grande sonho de um sonhador solitário no qual todos os personagens também estão sonhando. Quando olhamos para trás, é como se, sem saber, estivéssemos criando juntos as nossas vidas — mas de que jeito, e com quem?

Sei que ainda sou relativamente jovem, mas, olhando para a minha vida até o momento, tenho uma enorme sensação de gratidão. Oportunidades fenomenais me foram oferecidas, e trabalhei duro para tirar o melhor proveito de cada uma delas. Minha vida não foi desse jeito por acaso. Escolhi me mudar para São Paulo quando tinha 14 anos. Muitos anos depois, escolhi me casar com meu marido. Escolhi formar uma família com ele. Poderia nunca ter saído do Brasil. Poderia ter sido jogadora de vôlei profissional (eu era boa nisso) ou ter me tornado veterinária. Poderia ter me casado com outra pessoa, ou nunca ter me casado ou tido filhos. A vida que levo hoje é a consequência das dezenas de decisões que tomei. Quando era mais jovem, aproveitei as portas que se abriram para mim. Mas, com o passar dos anos, comecei eu mesma a abrir as portas. Se fizermos escolhas mais conscientes e com uma maior compreensão de nós mesmos, estaremos mais alinhados com o nosso propósito na vida, seja ele qual for.

Ao longo dos anos, amigos e desconhecidos me confidenciaram sobre as dificuldades enfrentadas pelas meninas e mulheres em suas vidas. Ouvi que suas filhas ou amigas estavam enfrentando depressão, ansiedade, distúrbios alimentares, automutilação, e, diante disso, compartilhei algumas das minhas próprias experiências desafiadoras, na esperança de que isso fizesse com que elas se sentissem apoiadas e que soubessem que não estavam sozinhas. Somos todas bombardeadas com imagens de como deveria ser nossa aparência, ou de como deveríamos nos comportar. E, sim, sei que por mais de duas décadas trabalhei numa indústria que tende a exaltar padrões inalcançáveis de beleza, estilo e glamour. Sei também que as redes sociais são talhadas para expor os melhores momentos das nossas vidas, não os piores. No meu Instagram, você não vai encontrar muitas fotos minhas com dor de cabeça ou com olheiras por ter ficado a noite inteira acordada cuidando dos meus filhos quando estão doentes.

A vida pode ser mágica, mas viver bem exige esforço, foco, paciência, compaixão, determinação e disciplina. Invejar ou se comparar com qualquer pessoa é uma receita tóxica. A inveja só gera a sensação de nunca sermos bons o suficiente. Acredito que somos — cada um de nós — únicos à nossa própria maneira. Cada um de nós tem algo único e especial a oferecer, e que somente nós podemos dar ao mundo.

Muitas mulheres estão simplesmente sobrecarregadas. Estejam elas no ensino médio, com excesso de atividades em suas agendas diárias, ou na casa dos trinta ou quarenta anos ficando esgotadas enquanto tentam ser boa mãe, esposa perfeita, ter sucesso no trabalho, ou as três coisas, sem nunca ter tempo só para si. Elas perderam a conexão com a natureza e com elas mesmas. Estão buscando respostas do lado de fora, sem perceber que as respostas que realmente importam estão do lado de dentro. Houve um tempo em que eu fui assim. Então, naturalmente, estou escrevendo este livro para o meu eu mais jovem. Se alguém tivesse compartilhado estas lições comigo quando eu era adolescente ou quando eu tinha vinte e poucos anos, talvez minha jornada tivesse sido um pouco mais fácil. E também quero compartilhar essas lições com meus filhos. Sempre me pergunto: De que forma eu poderia ajudá-los se eles não fossem meus filhos? Ou se eu não estivesse aqui? Como eu posso deixar para eles algo importante e de valor? As lições contidas neste livro são as que mais quero que meus filhos aprendam e que se lembrem delas como luzes que guiarão suas vidas.

Por 23 anos fui aluna na escola da moda, e uma das primeiras coisas que descobri foi como ela podia ser superficial. Por muito tempo na minha carreira de modelo, me senti dividida e culpada. Trabalhar como modelo nunca foi minha paixão nem a minha identidade. Foi uma oportunidade de trabalho que surgiu quando eu era muito jovem, e eu a abracei. Mas isso não quer dizer que eu não seja extremamente grata por todas as oportunidades que tive e a todas as pessoas que me deram essas oportunidades. Hoje, toda a visibilidade que tenho existe por causa do meu trabalho no mundo da moda, e agora posso usar algumas das ferramentas que adquiri para atrair mais atenção para projetos que são importantes para mim e que, acredito, possam ter um impacto positivo no mundo.

A maioria das pessoas me conhece apenas como uma imagem, um objeto, uma tela em branco na qual podem projetar suas próprias histórias, seus sonhos, suas fantasias — o que, ironicamente, era a mesma abordagem que eu adotava no trabalho quando me tornei ela. Por 23 anos, também fui uma imagem sem voz. Tenho isso em comum com muitas mulheres. Quantas vezes nos passaram a mensagem de que nossas vozes não valiam a pena ser ouvidas, seja quando somos ignoradas numa reunião, ou criticadas nas redes sociais, ou reduzidas a um conjunto de partes corporais? Permitir a mim mesma me abrir e mostrar meu lado vulnerável — não ela, mas eu, Gisele — é bem assustador. Não vou mais poder me desconectar nem me esconder. Ao mesmo tempo, acredite em mim: nada é mais estranho do que ser o objeto das projeções de outras pessoas. Ser conhecida e ao mesmo tempo desconhecida já não me parece certo. A vida nem sempre é fácil, nem é um conto de fadas, e todos enfrentamos desafios, não importa quem sejamos. Ao falar abertamente, espero que possa inspirar outras mulheres a fazerem o mesmo, principalmente numa época em que as mulheres precisam apoiar umas às outras mais do que nunca. Afinal, as mudanças só acontecem quando estamos dispostos a defender aquilo em que acreditamos.

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Durante a celebração da Revolução Farroupilha, dia do gaúcho, em Horizontina, setembro de 1986. Eu sou a de vestido laranja.

Os aprendizados neste livro não são regras. Como alguém que sempre questionou o status quo, é claro que não quero me transformar no status quo de ninguém. Algumas destas lições podem parecer familiares, ou até mera questão de bom senso. Meu objetivo é simplesmente interpretar crenças específicas no contexto da minha vida e das minhas experiências. E, como a maioria das pessoas, ainda estou aprendendo e tentando melhorar todos os dias. Se estes aprendizados forem úteis, ótimo. Se uma, duas, ou todas as oito não fizerem sentido para você, deixe-as para lá e siga seu caminho. Lembre-se de que eu cresci questionando qualquer um ou qualquer coisa que pretendesse ter todas as respostas, e talvez você se sinta do mesmo jeito. Nem por um segundo estou tentando ser uma autoridade ou uma especialista. Não sou melhor nem pior do que ninguém. Estes aprendizados simplesmente deram certo para mim e me ajudaram a melhorar minha própria vida ao atribuir a ela um significado mais profundo. Ainda assim, se você guardar apenas uma mensagem deste livro, espero que seja a importância de viver a vida com amor. De amar a si mesmo. De amar os outros. De amar o mundo no qual todos nós vivemos. Jogue para o alto todo o resto, mas, por favor, jamais viva sua vida sem amor.

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Todo começa com disciplina

Disciplina é uma palavra difícil de se gostar, principalmente quando se é jovem. Não posso deixar para pensar nisso daqui a alguns anos? É uma palavra que parece pertencer à vida militar, a colégio interno, ou a uma lista de regras e regulamentos que nos impedem de fazer algo que queremos. A disciplina pode parecer às vezes inimiga da diversão e da felicidade, um enredo adulto projetado para abafar a alegria e a inspiração.

Na verdade, não é nada disso. A disciplina é mais que só trabalho duro, é onde o processo se inicia. Desde que me entendo por gente, sempre fui extremamente organizada e esforçada, seja quando estava ajudando minhas irmãs a limpar a casa, praticando esportes, estudando para a escola, trabalhando como modelo ou, mesmo hoje, sendo esposa e mãe que trabalha fora. E é por isso que sinto uma conexão tão forte com este primeiro aprendizado: Tudo começa com a disciplina. Acredito que todo sucesso que eu tenha alcançado na vida seja resultado de foco, trabalho árduo, dedicação, pontualidade, fazer o que era necessário, sempre dando 100% de mim em tudo o que fazia — e ainda é assim que levo a vida: com disciplina.

Na nossa casa, era importante ter disciplina. Com seis crianças, todas meninas, tagarelando ao mesmo tempo, era uma necessidade. Minha mãe estava sempre correndo de lá para cá, se esforçando ao máximo para cuidar de todas nós. Todos os dias, às seis horas da manhã, ela acordava e nos preparava de café da manhã leite batido com abacate, banana ou maçã e um pouco de açúcar, ou às vezes fazia torradas, que é como no Rio Grande do Sul a gente chama o misto-quente. Depois disso, minha mãe — ou meu pai — nos levava para o colégio e ia para o trabalho, voltando para casa ao meio-dia para que fazia — e ainda é assim que levo a vida: com disciplina.

Na nossa casa, era importante ter disciplina. Com seis crianças, todas meninas, tagarelando ao mesmo tempo, era uma necessidade. Minha mãe estava sempre correndo de lá para cá, se esforçando ao máximo para cuidar de todas nós. Todos os dias, às seis horas da manhã, ela acordava e nos preparava de café da manhã leite batido com abacate, banana ou maçã e um pouco de açúcar, ou às vezes fazia torradas, que é como no Rio Grande do Sul a gente chama o misto-quente. Depois disso, minha mãe — ou meu pai — nos levava para o colégio e ia para o trabalho, voltando para casa ao meio-dia para que pudéssemos almoçar todos juntos. Nos fins de semana, ela acordava ainda mais cedo para lavar nossas roupas, preparar comida e congelar as refeições para a semana seguinte. Com oito pessoas compartilhando três quartos e dois banheiros, minhas irmãs e eu entendemos desde cedo que tínhamos de ajudar. Cada uma de nós recebia uma tarefa de limpeza antes de podermos sair para brincar. Quando Raque ou Fofa tocavam o sino, cada uma ia para o seu posto.

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O dia em que Pati e eu nascemos, em 20 de julho de 1980. Minhas irmãs e minha avó materna foram nos conhecer.
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Sempre tirávamos fotos de família em frente à árvore de Natal num canto da nossa casa. No alto, da esquerda para a direita: Baque e minha irmã gêmea, Pati. Embaixo, da esquerda para a direita: meu avô paterno, Walter, Gabi, Fofa, eu com a boca aberta, e minha avó paterna, Lucila, segurando a Fafi no colo.

Quase sempre eu era encarregada de limpar o banheiro e geralmente passava um tempão esfregando o espaço entre os ladrilhos com uma escova de dentes até tudo ficar tão limpo que daria para comer no chão. (Para me sentir bem, sempre precisei que os espaços à minha volta estivessem limpos e organizados. Se há bagunça ao meu redor, não consigo nem pensar direito.) Minhas irmãs e eu também servíamos extraoficialmente como “mães” das mais novas. Com 8 anos, eu me lembro de trocar as fraldas da minha irmã Fafi e, depois, de ajudar minhas irmãs mais velhas a fritar pastéis, que ajudávamos nossa mãe a preparar do zero — massa dobrada e fechada com recheios de frango, carne, ou queijo e espinafre.

Boa menina, diziam meus pais sempre que uma das minhas irmãs ou eu fazia alguma coisa bem-feita, quando éramos educadas, quando fazíamos o que nos era pedido, quando nos esforçávamos, tirávamos boas notas ou jogávamos uma boa partida de vôlei. Mas, mesmo se os planos não saíam como o esperado, minha mãe e meu pai sempre nos faziam sentir que tínhamos feito o nosso melhor quando nos dedicávamos e nos faziam sentir que tínhamos feito o nosso melhor quando nos dedicávamos e nos esforçávamos. Boa menina era um superelogio. Sempre me deixava orgulhosa do esforço que eu tinha feito.

Estivesse eu esfregando azulejos no banheiro, estudando sem parar para ir bem na escola, ou praticando esportes, sempre colocava muito foco e motivação em tudo o que fazia. Aos io anos, quando comecei a jogar vôlei, disse a mim mesma que, para ser boa naquilo, precisaria treinar pelo menos duas horas por dia. Decidi que treinaria com a maior garra possível para entrar na equipe, e talvez até no time da categoria logo acima da minha. O modo como eu encarava os estudos não era diferente. Se não era boa em uma matéria, ficava acordada a noite inteira estudando, se necessário, até tirar um io. Disciplina nunca foi uma ideia distante nem algo que eu viria a desenvolver mais tarde na vida. Sempre fez parte de mim dar o meu melhor, deixar meus pais orgulhosos, não decepcionar ninguém. Se eu desejava ser bem-sucedida em algo, não ficava só imaginando o que queria nem esperando que isso surgisse do nada, na expectativa de que alguém fosse me entregar o que eu desejava de mão beijada. Eu sabia que tinha de botar a mão na massa e fazer acontecer, mesmo se estivesse um pouco temerosa e parecesse algo impossível. Sempre me esforçava ao máximo, porque, se desse qualquer coisa menos que o meu melhor, sabia que ficaria chateada comigo mesma. Além disso, por trás do meu senso de disciplina, existia a forte sensação de que, qualquer que fosse o meu objetivo, conseguiria alcançá-lo se me esforçasse o suficiente. Mesmo quando tinha medo. nunca me sentia desencorajada. Eu me sentia desafiada.

Com o tempo, acabei me tornando mais disciplinada ainda, provavelmente porque conseguia ver os resultados diretos desse meu modo de agir. Aos 14 anos, quando deixei minha cidade e minha família para me mudar para São Paulo e tentar a carreira de modelo, eu estava determinada. Dizia a mim mesma: Não volto para casa de mãos vazias. Não vou desapontar meus pais e minhas irmãs. Vou ralar muito, o máximo que puder, e fazer o que tiver de fazer, mesmo que isso signifique trabalhar dia e noite. Sem disciplina, talvez eu tivesse pegado o primeiro ônibus de volta para casa. O trabalho era intenso, e eu sentia saudade da minha família. Quase sempre me sentia sozinha. Mas fiquei em São Paulo e persisti. Uma oportunidade surgia, seguida de outra e então mais uma. E eu continuava me dedicando.

Livro 'Aprendizados' por Gisele Bündchen
Minha amiga Maqui, eu, minha amiga Kaká e minha irmã Pati com nossas roupas de Paquitas, pouco antes da apresentação no festival de música de Horizontina, em 1992.


Em 1999, após assinar contrato com a Victoria’s Secret, passei a trabalhar 35o dias por ano. Durante uma temporada padrão de desfiles, em um único dia poderia participar de até seis desfiles, seguidos de várias provas de roupas para o dia seguinte. Cabelo e maquiagem podiam começar às seis da manhã, e as provas às vezes se estendiam até o raiar do dia seguinte. Não importava se tivesse ido para a cama às duas da madrugada fazendo prova de roupa na noite anterior. Eu sempre chegava para trabalhar todas as manhãs pontualmente. (Não era um cenário muito glamoroso. Raramente alguém me oferecia um copo d’água, e algumas pessoas se sentiam à vontade para me criticar na minha cara.) Na adolescência e no início da juventude, eu me lembro de ter conhecido uma modelo mais linda que a outra — havia tantas. Eu mal podia acreditar quando, de alguma forma, era eu quem acabava sendo contratada para muitos dos trabalhos. Por quê? Sou obrigada a acreditar que a disciplina teve um papel decisivo nisso. Além disso, eu também procurava ser uma pessoa agradável de se ter por perto, sempre disposta a aprender e contribuir com o melhor que podia. Todo trabalho é fruto de colaboração, e ser modelo não é diferente. Nunca me atrasei — nem uma única vez. Eu sempre estava 100% comprometida. Certa vez, num trabalho na Islândia, me disseram para ficar de pé num iceberg cenográfico flutuando em meio a uma geleira, usando apenas um vestido de alcinhas. Fazia um frio de rachar, e eu tinha medo de escorregar e cair na água congelante, mas mesmo assim sorria, fazendo de tudo para ser profissional e não demonstrar meu pânico. Disse a mim mesma que, não importava se eu estivesse tremendo ou se meus lábios estivessem ficando roxos, ia dar o melhor de mim.

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Dentro de um barquinho indo gravar o comercial no meio de icebergs na Islândia, em 1998. Estava congelando!

Eu me sentia feliz de verdade só por star lá! Ficava muito grata por cada oportunidade que me era dada. Por que alguém no meu lugar, fazendo o que eu estava fazendo, não se sentiria a pessoa mais sortuda do mundo, mesmo de vestido de alcinhas no meio de uma geleira? Por incrível que pareça, acredito que uma das razões para eu ter me tornado uma boa modelo é que nunca fui naturalmente fotogênica. Várias modelos ficam maravilhosas nas fotos, mas eu sentia que não ficaria bem simplesmente posando para a câmera. Eu precisava me manter em movimento, mais como uma atriz ou uma dançarina, a fim de criar um momento especial. Era importante, para mim, fazer meu trabalho bem-feito, mas também jamais deixar que ele definisse quem eu era. Na verdade, nunca me tornei modelo; eu atuava como modelo. Normalmente trabalhava o dia inteiro e depois ia para casa ficar com a minha cachorrinha Vida e ler. Não estava interessada em festas, glamour, roupas chiques e noitadas. Eu ficava mais feliz em ir para casa ler um bom livro.

Acredito que, se você quer ter sucesso, há quatro passos fundamentais a seguir — ou pelo menos foi assim comigo.

Clareza vem em primeiro lugar. Tudo na vida começa com um sonho. Mas primeiro o sonho precisa ser claramente definido e, o mais importante, você precisa entender por que quer aquilo. Aos 14 anos, aos 20 e aos 27, eu nunca disse para mim mesma: “Meu objetivo é ser uma modelo famosa.” Em vez disso, minha ênfase era em ser a melhor que podia ser no que faço, o que significa dar o meu melhor. Sinceramente, eu poderia ter escolhido seguir outras profissões! E, mesmo assim, seja lá o que eu fizesse, sabia que teria de ser a melhor. Não a melhor comparada a outras pessoas, mas a melhor versão de mim mesma.

Pela minha experiência, definir claramente o que você quer lhe dá direcionamento e desperta a chama interior que traz motivação. Talvez você tire notas 7 na escola e queira tirar 10. Ou talvez deseje ser excelente num esporte. Uma ótima esposa e mãe. Um ser humano exemplar. Ter sucesso no trabalho. Talvez você queira fazer exercícios regularmente ou meditar todos os dias. Então estabeleça seu objetivo com muita clareza desde o começo. Como alcançar suas metas vai servir a um propósito maior? Por que isso é importante para você? O que você vai fazer para chegar mais perto de atingir seus objetivos? Do que precisa para chegar lá?

Também é importante estabelecer expectativas razoáveis. Sei, por experiência própria, o perigo que é estabelecer metas muito acima do alcançável e, quando não se chega lá a frustração faz com que você se sinta um fracasso, quando a verdade é que você simplesmente não foi realista.

Assim que houver clareza quanto ao que você deseja alcançar, o próximo passo é ter foco — tomar as várias pequenas atitudes que vão impulsionar você. É aqui que entra o trabalho árduo. O que será necessário para alcançar sua meta? Você precisa mudar sua rotina diária ou eliminar da sua vida certos comportamentos, ou até mesmo algumas pessoas que não lhe fazem bem? Se você tira notas 7 e quer tirar io, isso pode significar que terá de começar a acordar uma hora mais cedo para estudar, ou pedir ajuda extra ao professor, ou formar um grupo de estudos. Também pode procurar um mentor ou alguém que admira e que possa guiar você.

O terceiro passo é dedicação. Isso significa permanecer nos trilhos ao longo do percurso, se dando o crédito pelo que fez bem-feito, mas também se concentrando nas áreas em que precisa melhorar. Como é que você está praticando? Como está medindo seu progresso? Vem se concentrando apenas no que já faz bem, ou também testa seus limites ao direcionar os esforços para aquilo que talvez não seja seu ponto forte, tentando superar as dificuldades? Pela minha experiência, pude constatar que trabalho duro e dedicação não são a mesma coisa. Dedicação inclui compromisso com um objetivo ou ideal específico. Várias pessoas trabalham arduamente, mas algumas não seguem os passos necessários para alcançar o que realmente desejam. Você pode estabelecer objetivos para a sua vida, mas sem dedicação eles não serão atingidos. Quem tem mais chance de se tornar um músico de sucesso: o pianista que estuda uma hora por dia ou aquele que estuda quatro horas diariamente? Dedicar-se significa investir tempo naquilo que você quer e ama, nas áreas em que deseja alcançar excelência. A dedicação diz: Eu vou seguir em frente, não importa o que aconteça. Sem dedicação é menos provável que você enxergue os benefícios de todo o seu esforço. Se ter foco significa dizer sim ao trabalho duro, ter dedicação significa dizer não à distração — às atividades e até mesmo às pessoas que puxam você para outras direções ou lhe levam a desistir. Responda honestamente: O que você consegue fazer em um dia? Você gasta todo o seu tempo respondendo mensagens de texto e e-mails? Está progredindo ou apenas correndo atrás do prejuízo? Eu continuei dando um passo depois do outro, mesmo quando meu colegas de escola debochavam de mim, ou quando sentia saudade de casa aos 14 anos, ou quando era rejeitada para algum trabalho. Eu seguia em frente, em um casting (processo seletivo no mundo da moda) após outro. É claro que havia vezes em que sentia muita falta dos meus pais e das minhas irmãs, mas, apesar de esses momentos serem dolorosos e desviarem o foco, eram apenas visitantes temporários, que iam e vinham. Pois, acima de tudo, eu queria — precisava — mostrar a mim mesma que era capaz de fazer aquilo com que tinha me comprometido.


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