No limite de sua atração: conquista e prazer – Livro de Kira Baptista

No limite de sua atração: conquista e prazer - Livro de Kira Baptista

Trecho do livro

Para todas as pessoas que acreditam que a família é o melhor apoio e que o amor pode vencer tudo!

|NINA TELLES|

Depois de um dia exaustivo, cheio de brilho e muitos sorrisos proporcionados por Zeca na loja, finalmente sigo para casa. Claro que fiz Marcelo pegar outro rumo. Não é fácil se livrar da equipe, mas quem consegue resistir a um inocente pedido meu? Sou tão menina birrenta, quanto mulher cabeça-dura. Fiz carinha de quem estava com vontade de comer pão de queijo e minha “sombra” estacionou o carro e com toda gentileza do mundo foi comprar.

— Não acredito que aceitei te seguir e ainda ficar aqui no seu lugar, Nina?

— Ah, mas não vem com essa não. Você gosta de aprontar tanto quanto eu. Me dê as chaves do meu carro e fica bem quietinho aí. Só me faz purpurina quando o Marcelo já estiver dentro do carro.

— Terrível você! Adoro!

— Vou embora agora, beijinhos Zeca do meu coração!
Sabe que agora estou até sentindo uma peninha do Marcelo? Tadinho dele, foi comprar pão de queijo e quando voltar vai encontrar um Zeca muito cheio de fome. Como sou malvada!

Adoro quando consigo fazer a equipe seguir para um lado quando vou para outro. Em meu carro faço a rota segura, vou a um ritmo lento apreciando as belezas que essa linda noite me proporciona. Livre, este é o sentimento. Por pouco tempo, mas a sensação de não estar com uma sombra ao meu lado é simplesmente maravilhosa!

Meu celular não para de chamar. Não preciso olhar para a tela e confirmar que Caio Telles está arrancando os cabelos do outro lado da linha. Esse bastardo consegue controlar tudo ao seu redor, mas sempre dei um trabalho a mais. Começo a sorrir imaginando o abuso que deve estar. Tão diferente de Alex, que até ouso apostar estar sorrindo agora do Caio.

Sinto uma falta deles em casa, que já não é a mesma sem eles. Sei que ambos vão sempre que podem para uma longa visita. Acabo sorrindo com as doces e barulhentas lembranças de todos na casa. Caio, o insuportável de tanto abuso; e Alex, o palhacinho que nunca deixou passar nada. Isso nunca vai mudar mesmo depois de cada um ter seguido seus caminhos.

Paro o cano e aqui está tudo que preciso nesse momento: o mar. Só preciso nesse início de noite apreciar o movimento das ondas. A noite está tão gostosa, um pouco fria, mas ainda gostosa. Vejo casais com seus namoricos, mães brincando com seus pequenos e eu estou apenas querendo deixar que meus pensamentos se percam nessa linda noite sem ter ninguém por perto passando roteiro dos meus passos. Deixo meus saltos dentro do carro e dou início a minha caminhada. Solitária caminhada? Não, acho que eu mesma posso me fazer companhia. Esse sentimento de solidão vai muito da pessoa, e eu estou muito bem comigo mesma.

Entro em casa já pensando no que tenho que fazer enquanto caminho para meu quarto. O relógio marca 21h, tenho tempo suficiente para adiantar umas coisas antes de ir buscar minha liberação. Parece que estou levando o mundo em minhas costas. Preciso primeiramente de um longo banho para depois iniciar meus trabalhos.

— Nina, que bom que chegou. — Lu me tira de meus pensamentos.

— Louca por um banho. Tudo bem por aqui, Lu?

— Seus pais ligaram e está tudo ocorrendo como previsto. Estão amando Veneza!

— Essa viagem deveria ter acontecido há dois anos, mas quem é Telles não pode fazer planejamento.

— Tome seu banho, vou servir seu jantar.

—Me desculpa, Lu. Pedi comida na loja mais cedo.

— Estou ficando chateada, você só quer comer a comida daquele português — Lu reclama morrendo de ciúmes.

— Ele é grego, Lu. Pode parar de ciúmes. Olha que ter ajudado a criar Caio deixou seus efeitos — digo abraçando nossa segunda mãe.

— Uma vitamina você vai tomar. — Eu não vou teimar com a rainha da frigideira.

— Tudo bem.

Subo para meu quarto, tiro meus saltos e logo me livro do vestido. Desfaço a trança em meus cabelos. Quando estou prestes a entrar no banheiro, o celular toca. As fotos de meus sobrinhos, filhos de Caio, aparecem. Desta vez tenho que atender.

— Oi abusadinho de minha vida.

— Nina. É a segunda vez que escapa de sua segurança pessoal em menos de 15 dias. Porra! — Tenho certeza de que daria para fazer um suco bem gelado com a frieza da voz dele. Acho que me dei mal.

— Calma, Caio, também não é pra tanto.

— Calma o caralho! Você está louca?

— Entediada é a palavra certa.

— Posso saber o motivo de seguir sem Marcelo?

— É simples. Não há motivos.

— Não me provoca, Nina!

— Tão nervosinho. Rebs deixou você de castigo?

— Porra!

— Não precisa dizer. Deve estar arrancando os cabelos de tanto tesão. Bolas azuis?

— Minhas bolas não são problemas agora. Você é!

— Nossa, essa doeu! Onde fica nosso amor, meu irmão?

Preste bem atenção, Nina. — Ele está muito puto. — Isto acabou! Não irá repetir mais essa merda! — Me ferrei mesmo.

— Eu também te amo, irmão lindo!

— Esteja avisada.

— Deixa de ser chato!

— Chato uma porra! Eu me preocupo com você. Nina, presta bem atenção, minha irmã. Se nossa família passasse despercebida, eu te garanto que sua vida seria bem diferente, mas não é assim.

Caio tem razão. Ser um Telles não é fácil mesmo. Temos inimigos que nem sabemos o porquê de tê-los. Não podemos vacilar, mas realmente não resisto em provocar esse controlador que tanto amo.

— Eu sei, Caio.

— Não parece que sabe, Nina. Porém, sabe o quanto fico louco de preocupação quando some apenas para satisfazer sua ousadia.

— Entendi.

—Nina?

— Fale.

— Aprenda de uma vez por todas que sua segurança é importante.

— Eu sei, homem. Caio Telles, abusadinho da minha vida!

— Foda!

Durante o banho pendo que o pior que Caio não está errado, a errada sou eu mesmo. Termino meu banho e lembro para não passar hidratante no corpo. Coloco um shortinho e um top preto. Ligo meu notebook para verificar meus e-mails. Está faltando algo: música. Escolho Try Sleeping With A Broken Heart, de Alicia Keys.

A gostosa batida da canção me faz querer dançar e assim faço. Danço acompanhando o ritmo intenso. Esta canção é dolorosa, mas apenas sua batida daria para proporcionar uma noite daquelas.

Continuo dançando e olhando meus e-mails. Poderia me tocar ao som desta canção, excitação não me falta. Tesão também não, mas tenho que ler cada mensagem antes de pensar em qualquer coisa.

Não sou uma mulher de conquistas. Um homem não precisa de muito, mas tem que ser o bastante. Tem que ser completo para que me faça sentir da mesma forma. Preciso voltar a acreditar em tudo que me foi levado: confiança.

Termino de ler e vou para a academia ainda cantando, mas no caminho dou de cara com Lu.
— Vai querer sua vitamina agora?

— Quando voltar, tchauzinho!

— Não tenta me enrolar, Nina.

— Nunca, Lu.

Escapei dessa. Fiz meu caminho e, mais uma vez, aparece alguém. Esse eu quero arrancar as bolas! Bocudo!

— Marcelo.

— Pois não? — Cínico de uma figa.

— Seu linguarudo!

— Me desculpe — pede com cara de cachorro sem dono.

— Me desculpe? É isto tem que a dizer? Eu deveria te castrar!

— Desculpe, mas preciso reportar ao seu irmão. Sou seu segurança pessoal.

— Você e todos aqueles outros que seguem meus passos são um bando de fofoqueiros. Isto sim!

— O doutor Caio não permite falhas. Realmente preciso reportar tudo que acontece. — Até que Marcelo fica engraçado em meio à pressão.

Vamos ver se ele vai suportar mais um pouco de pressão. Dou passos na sua direção. Marcelo tem a minha altura e isto facilita meu planinho cheio de maldades. A cada passo que dou, ele recua. Que vontade de rir alto.

Finalmente, ele decide parar de recuar. Chego bem perto. Abaixo meu olhar para assistir seu peitoral agitado. Calma, moço. Tentando não sorrir, eu o encaro.

— Presta bastante atenção, Marcelo — peço bem séria.

— Estou prestando, senhorita Nina. — Aposto que sim. Respira moco.

— Reporte que suas bolas estão com os dias contados. Se me dedurar, não vou pensar duas vezes em fazer omelete de Marcelo e sabe a qual parte me refiro. — Ele me olha completamente assustado.

— Entendeu, queridinho?

— Perfeitamente.

— Maravilha! E respira. Você está ficando com um tom de cor que não combina com este lindo terno preto que escolhi especialmente pra você.

— Sim. senhorita Nina.

— O próximo terno que vou escolher será o que vai usar no velório de suas bolas. Não se esqueça de quem sou irmã. Posso ser este doce de pessoa, mas sou malvada quando quero. Azeda, para facilitar seu pensamento.

Depois de meu atrevimento com o linguarudo vou fazer o que sempre faço e que ajuda a aliviar meus terremotos noturnos.


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