Livro ‘Inteligência Espiritual’ por Danah Zohar

Livro 'Inteligência Espiritual' por Danah Zohar
Aprenda a desenvolver a inteligência que faz a diferença. Este livro de Danah Zohar e Ian Marshall defende a ideia de que além do QI (quociente intelectual) e do QE (quociente emocional), a inteligência humana também pode ser medida por meio da inteligência espiritual, o QS, quociente fundamental de todos. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito e objetivo na vida. Ele é o responsável pelo significado de nossa existência, pelo desenvolvimento dos valores éticos e das crenças que vão nortear nossas ações no dia a dia. Conhecer o potencial do nosso QS e desenvolvê-lo nos permitirá alcançar metas com mais eficiência.
Capa comum: 336 páginas  Editora: Viva Livros; Edição: 6 (1 de fevereiro de 2012)  ISBN-10: 8581030106  ISBN-13: 978-8581030104  Dimensões do produto: 17,8 x 11,6 x 1,4 cm

Leia trecho do livro

EDIÇÕES VIVA LIVROS
QS: Inteligência espiritual

Nascida nos Estados Unidos, Danah Zohar é pós-graduada em religião, filosofia e psicologia pela Universidade de Harvard. Professora da Universidade de Oxford, na Inglaterra, presta consultoria a equipes de liderança corporativa do mundo todo. Ian Marshall, seu marido e coautor, é psiquiatra e psicoterapeuta. Formado em Oxford, escreveu diversos artigos acadêmicos sobre a natureza da mente. Juntos, eles discursam em workshops, fóruns e palestras sobre a importância da inteligência e do capital espiritual. QS – Inteligência espiritual já foi publicado em 27 idiomas e é um grande sucesso internacional. Entre as obras dos dois autores já traduzidas no Brasil estão também O ser quântico, Sociedade quântica, Através da barreira do tempo e Capital espiritual.

Agradecimento

Gostaria de expressar minha gratidão a Quentin Baer e Cambridge Management Consultants por sua generosa contribuição para pesquisa durante a elaboração deste livro.

O poema “Healing”, do livro The Complete Poems of D. H. Lawrence, de D. H. Lawrence, organizado por V. de Sola Pinto, F. W. Roberts, copyright © 1964, 1971, por Angelo Ravagli e C. M. Weekley, testamenteiros do estado da Frieda Lawrence Ravagli, foi utilizado com a permissão da Viking Penguin, uma divisão da Penguin Putnam Inc., e de Laurence Pollinger Ltd.

Trechos de “I think continually of those who were truly great”, de Stephen Spender, extraídos da obra The Collected Poems, e “Little Gidding” de “Four Quartets”, de T. S. Eliot, foram utilizados com a permissão de Faber and Faber Limited.

Trechos do Soneto 4 de Sonnets to Orpheus, de Rainer Maria Rilke, organizado e traduzido por C. F. MacIntyre, copyright © 1960, por C. F. MacIntyre, foram utilizados com a permissão da University of California Press.

Trechos de The Lord of the Rings, de J. R. R. Tolkien, foram usados com a permissão de HarperCollins Publishers.

Trechos de The Duino Elegies, de Rainer Maria Rilke, traduzido por Stephen Cohn, foram usados com a permissão de Carcanet Press Limited.

Trechos de Gitanjali, de Rabindranath Tagore, com a permissão de Visva-Bharati, Publishing Department, Visva-Bharati University, Calcutá.

Trechos de Rilke on Love and Other Difficulties, de Rainer Maria Rilke, traduzido por J. J. L. Mood © 1975, com a permissão de W. W. Norton & Co., Nova York.

Em memória de meu pai, Donald E. Logan, Toledo, Ohio, 1919-1981

Nota dos autores

Embora este livro esteja escrito na primeira pessoa por Danah Zohar, seu conteúdo é fruto do trabalho conjunto de seus autores.

Não me interessa saber o que você faz para ganhar a vida.
Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aos anseios de seu coração.
Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você se arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
Quero saber se tocou o âmago de sua dor, se as traições da vida o despertaram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor!
Quero saber se pode suportar a dor, minha ou sua, sem procurar escondê la, reprimi-la ou narcotizá-la.
Quero saber se você pode aceitar alegria, minha ou sua; se pode abandonar-se à dança e deixar que o êxtase o domine até as pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos.
Não me interessa se a história que me conta é a verdade.
Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo, se pode suportar a acusação de traição e não trair sua alma.
Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida na presença de Deus.
Quero saber se você pode viver com o fracasso, seu e meu, e ainda, à margem de um lago, gritar para a lua prateada: “Eu posso!”
Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem de ser feito pelos filhos.
Não me interessa saber quem você é e como veio parar aqui.
Quero saber se você ficará comigo no meio do fogo e não se acovardará.
Não me interessa saber onde, o que ou com quem você estudou.
Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo mais

[desmorona.

Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se realmente gosta da companhia que tem nos momentos de vazio.

The Invitation, inspirado por Sonhador da Montanha Oriah, um índio americano ancião, em maio de 19941

Parte I

O que é QS

Introdução

No início do século XX, o QI (Quociente de Inteligência) tornou-se assunto constante de conversas. Nossa inteligência intelectual, ou racional, é a que usamos para solucionar problemas lógicos ou de grande importância. Psicólogos desenvolveram testes para avaliá-la, e estes tornaram-se instrumentos para classificar o grau de inteligência dos indivíduos, indicando suas habilidades e talentos. Quanto mais alto o QI do indivíduo, dizia a teoria, maior sua inteligência.

Em meados da década de 1990, Daniel Goleman¹ popularizou pesquisas realizadas por diversos neurocientistas e psicólogos, demonstrando que a inteligência emocional – que, como abreviação conveniente, chamo de QE, Quociente Emocional – reveste-se de igual importância. O QE nos dá percepção de nossos sentimentos e dos sentimentos dos outros. Dá-nos empatia, compaixão, motivação e capacidade de reagir apropriadamente à dor e ao prazer. Conforme observou Goleman, o QE constitui requisito básico para o emprego efetivo do QI. Se estão lesionadas as áreas cerebrais com as quais sentimos, nós pensamos com menos eficiência.

No fim do século XX, um conjunto de dados científicos, ainda não assimilados, mostrou-nos que há um terceiro “Q”. A descrição total da inteligência humana pode ser finalmente completada com a discussão da inteligência espiritual ou, abreviadamente, QS – Quociente Espiritual (Spiritual Quocient). Por QS refiro-me à inteligência com que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor; a inteligência com a qual podemos inserir nossos atos e nossa vida em um contexto mais amplo, mais rico, mais gerador de significado; a inteligência com a qual podemos avaliar que um curso de ação ou caminho na vida faz mais sentido do que outro. O Quociente Espiritual (QS) é o embasamento necessário para o funcionamento eficaz do QI e do QE. É a nossa inteligência final.

Em seu livro Inteligências múltiplas, Howard Gardner, de Harvard, diz que há pelo menos sete tipos de inteligência, incluindo a musical, a espacial, a esportiva, além da racional e da emocional. Contudo, neste livro, argumento que nossas inteligências, possivelmente infinitas, podem estar ligadas a um dos três sistemas neurais do cérebro e que todos os tipos de inteligência que Gardner descreve são, na verdade, variações do QI, do QE e do QS, e de suas configurações neurais associadas.

O dicionário Webster define espírito como “o princípio animador ou vital; aquilo que dá vida ao organismo físico, em contraposição a seus elementos materiais; o hálito da vida”. Seres humanos são essencialmente criaturas espirituais, porque somos impulsionados pela necessidade de fazer perguntas “fundamentais”. Por que nasci? Qual o significado de minha vida? Por que devo continuar a lutar quando estou cansado, deprimido ou me sentindo derrotado? O que torna a vida digna de ser vivida? Somos impulsionados, na verdade determinados, por um anseio especificamente humano, o de encontrar sentido e valor no que fazemos e experimentamos. Sentimos o anseio de ver nossa vida em um contexto mais amplo, que lhe confira sentido, seja a família, a comunidade, o clube de futebol, o trabalho, as convicções religiosas ou o universo em si. Ansiamos por algo pelo qual possamos aspirar, por algo que nos leve além de nós mesmos e do momento presente, por alguma coisa que nos dê, e dê a nossos atos, um senso de valor. Alguns antropólogos e neurobiólogos argumentam que foi esse anseio por sentido e o valor evolutivo que ele confere que puxaram os seres humanos das árvores para o chão há cerca de dois milhões de anos. A necessidade de sentido, argumentam eles, gerou a imaginação simbólica, o aparecimento da linguagem e o crescimento extraordinário do cérebro humano.²

Nem o QI nem o QE, separadamente ou combinados, são suficientes para explicar a enorme complexidade da inteligência humana nem a riqueza imensa da alma do homem e de sua imaginação. Computadores têm QI alto: conhecem as regras e podem segui-las sem cometer erros. Animais, não raro, possuem QI alto: têm um senso da situação em que se encontram e sabem como reagir apropriadamente a ela. No entanto, nem computadores nem animais perguntam por que obedecemos a essas regras, por que estamos em certas situações ou se elas podem ser diferentes ou melhores. Eles se comportam dentro de limites, participando de um “jogo finito”. O QS permite que seres humanos sejam criativos, mudem as regras, alterem situações. Permite-nos trabalhar com limites, participar do “jogo infinito”.3 O QS nos dá capacidade de escolher. Presenteia-nos com um senso moral, uma capacidade de amenizar normas rígidas com compreensão e compaixão, bem como com a capacidade de saber quando a compaixão e a compreensão chegaram a seus limites. Usamos o QS (Quociente Espiritual) para lutar com questões acerca do bem e do mal, e imaginar possibilidades irrealizadas – sonhar, aspirar, superar situações difíceis.

E é principalmente esse poder transformador que diferencia o QS do QE. Da forma como Daniel Goleman a define, minha inteligência emocional me permite julgar em que situação me encontro e, em seguida, comportar-me apropriadamente dentro dela. Isso significa trabalhar dentro dos limites da situação, permitindo que ela me oriente. Já minha inteligência espiritual permite que eu pergunte a mim mesmo, de início, se quero estar em uma situação particular. Eu não poderia mudá-la, criando outra melhor? Isso implica trabalhar com os limites da situação em que me encontro, permitindo-me conduzir a situação.

Finalmente, como teremos oportunidade de ver quando analisarmos a base neurológica do QS, este opera do centro do cérebro – das funções neurológicas unificadoras do cérebro – e integra todas as nossas inteligências. O QS nos torna as criaturas plenamente intelectuais, emocionais e espirituais que somos.

Em condições ideais, as três inteligências básicas funcionam juntas e se apoiam mutuamente. O modo como funciona nosso cérebro permite que elas tenham condições de fazer isso, mas todas – o QI, o QE e o QS – apresentam uma área própria em que são mais fortes e podem também funcionar separadamente. Isto é, não somos necessariamente poderosos ou fracos em todas as três ao mesmo tempo. Não precisamos ter um poderoso QI ou QS para termos um QE alto. Podemos ser fortes em QI e fracos em QE e QS, e assim por diante.

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