Cartas Para o CEO – Livro de M.C Mari Cardoso

Cartas Para o CEO - Livro de M.C Mari Cardoso

Trecho do livro

Prólogo | Arthur

A plateia vibrava quando sentei na frente de um garoto engomadinho, com um ar debochado, que era campeão invicto de xadrez nos últimos dez anos. Quando cheguei à última rodada, meus colegas disseram para desistir porque ele vencia todo mundo.

Ninguém tinha uma mente tão controlada quanto a de Aquiles Megalos, um grego intercambista que assustava a maioria dos nossos colegas com seu humor um tanto irritado.

Ele me desafiou com o olhar antes de sinalizar para trazer nossas garrafas de água. Era a final. Eu ou ele. Disputa acirrada. Nós dois vencemos a temporada inteira e com isso, aquela batalha tinha um gosto diferente.

Terminei minha garrafa e olhei para o meu irmão caçula, sentado na primeira fileira, segurando sua mochila com os fones do walkman pendurados no pescoço. Nate ergueu os dedos cruzados, torcendo por mim.

Não havia ninguém além dele torcendo de verdade pela minha vitória.

Aquiles iniciou a partida e por um tempo, ele se vangloriou dos seus feitos, fazendo floreios, agindo rápido para me confundir e desestabilizar. Meu pai, antes de ir embora, me disse que o mundo iria me tirar do eixo se eu permitisse.

Ele segurou meu queixo e falou para não chorar, ter a mente forte, pensar antes de agir e analisar a verdade por trás das ações das pessoas.

“Elas são o que tem dentro do coração. Descubra o que tem lá e irá vencê-las”.

Eu em o que tinha dentro de mim? Desejo de vencer, era certo. Focado, ignorando a existência dos outros alunos, professores e até mesmo do próprio Aquiles. Me entreguei ao jogo, dando o máximo do meu cérebro para analisar seus movimentos e me deixei levar.

Era como se outra pessoa estivesse movendo meus braços e dedos, porque me sentia fora do corpo. Por um instante, eu estava diante da minha mente, ouvindo suas palavras cruéis sobre não ser inteligente o suficiente para vencê-la.

Se eu o vencesse, ninguém ficaria na minha frente.

Aquiles parou quando, surpreendentemente, lhe dei um xe-que-mate.

— Seu rei não pode mais se mover — falei com calma. Os professores estavam agitados, olhando e Aquiles me encarou, assentindo.

— Você venceu, Arthur Baxter.

— Você venceu, Arthur Baxter.

— Nós chegamos até aqui, então… acho que nós vencemos. — Peguei o troféu e coloquei entre nós. — Podemos ser amigos.

— É claro. — Ele sorriu e olhou para a torcida. — Eu vou te vencer de novo.

Dei de ombros.

— Você pode tentar.

Capítulo 1 | Arthur.

Nova Iorque era o meu lar. Eu amava a cidade, mesmo quando decidi que deveria construir minha vida longe de tudo que minha família tinha aqui. Morei na Califórnia por muitos anos, até que, inevitavelmente, fui atraído como uma mariposa para assumir uma sociedade lucrativa em um escritório de advocacia.

Seguindo a contramão dos meus antepassados, que eram formados em Economia, Administração de Negócios e coisas relacionadas, mergulhei no Direito como se a minha vida dependesse disso.

Queria algo diferente de todos os filhos mais velhos da família Baxter. Queria ser mais que o herdeiro dos Fitzgerald. Eu tinha a junção de dois sobrenomes muito poderosos. Amava ser um advogado figurão com um honorário caro e que recebia quando os clientes simplesmente respiravam ao meu redor. Por quase dez anos, essa foi a minha carreira: mil dólares a hora, mais taxas e alguns extras, dependendo do caso em minhas mãos.

Me orgulhava de todos os meus apelidos, até mesmo de filha da puta miserável, estripador de divórcios e o importante: tio mais legal do mundo, do único caso familiar que peguei, do meu amigo de longa data, Stuart Hedrer.

No entanto, a vida nunca é do jeito que planejamos: com minha mãe doente, meu irmão na puta que pariu atrás de um rabo de saia da sua ex-mulher e a empresa necessitando de atenção, larguei minha carreira para ser o que todos os filhos mais velhos da minha família foram: um fodido CEO.

Uma das minhas amigas mais próximas (e ex-namorada dos tempos remotos da faculdade) soltou uma gargalhada quando lhe contei. Ela disse que minha vida se encaixava perfeitamente em um romance que a Amazon vendia. Pensando nela, caminhou na minha direção junto com sua esposa.

— Olá, Sr. Fitzgerald. — Brianna abriu um sorriso. — Você não disse que ia parar de beber? — Ela ajeitou minha gravata e passou a mão em meu cabelo.

Nina, sua esposa, olhou para minha roupa. Ela era minha personal stylist.

— Não escolhi essa calça para esse tipo de evento, mas está bom

— Vocês duas me matam — resmunguei, virando meu copo.

— Vamos buscar uma bebida e procurar a nossa mesa. Sente-se conosco. — Nina continuou. Ela sabia que eu estava atrás das pilastras por um motivo e segurava a risada.

— Saiam daqui. — Bufei. Elas não aguentaram e caíram na gargalhada, o que chamou ainda mais atenção de quem estava ao redor. Percebendo que algumas cabeças viraram, dei um passo para a escuridão.

— Vamos encontrar nossa mesa, não demore. — Bri sorriu e foi embora. Nina ainda me olhou, em um misto de preocupação e zombaria, mas seguiu adiante.

Eu tinha que tomar coragem e sair daquele lugar. A realidade era que não queria enfrentar o pesadelo que andava de saltos altos pela festa. — Por que está se escondendo aí? — Juliet Blackburn, esposa do meu mais recente amigo e anfitriã da noite, me encontrou. Era uma mulher linda, de tirar o fôlego e os quadros com fotografias espalhados pelo salão eram de sua autoria. — Fugindo de alguém? — Arqueou a sobrancelha com diversão. Lhe dei um olhar irritado e ela riu. — Sinto muito, os convites já tinham sido enviados quando tudo aconteceu. Me ofereça seu braço que nós atravessaremos o salão sem nenhum problema. Ela tem medo de mim desde que “sem querer” — fez sinal de aspas com os dedos —enviou uma foto sensual para o Romeo.

— Se vocês sabem que ela é assim, por que diabos a convidaram?

— Ela faz boas doações. Não é minha amiga e se eu soubesse, teria avisado que estava caindo em uma cilada. — Soltou uma risada.

Ofereci meu braço e Juliet pegou. Caminhamos sem pressa pelo salão até o outro lado, onde Brianna e Nina conversavam com um grupo de amigos em comum. Romeo se juntou a nós, tentando não rir, mas falhando ao perceber meu nível de estresse.

Meu problema no momento se chamava: Meghan Winslet. Uma mulher linda, de corpo estonteante e que sabia como deixar um homem como eu maluco de tesão. Não nego que gostei muito da nossa noite.

O problema? Ela se recusava a permitir que fosse uma única noite. Entendi que como éramos adultos, a coisa toda foi consensual e acabou ali, no meio da madrugada, quando fui embora para minha casa e a deixei no hotel. Na manhã seguinte, acordei dentro de um pesadelo que sempre evitei: minhas fotos seminu em todo lugar.

Meghan tirou diversas fotos e postou na internet. Quando neguei seus avanços e explodi com meus advogados para cima dela, o inferno começou de verdade.

A mulher estava me perseguindo com sua fúria. Só queria que me deixasse de lado. Tive diversas namoradas ao longo da vida, casos, sexo casual e nunca tive problemas. Não sou perfeito, provavelmente fui um escroto com mais de uma, quebrei corações e tive o meu quebrado, mas nunca fui mentiroso. Nunca prometi nada que não pudesse dar.

Nunca fui exposto e estava no interesse da mídia graças a uma mulher que eu mal conhecia. Esse era o problema de não manter o pau dentro das calças, foi o que minha mãe disse e ela tinha a porra da razão. Sempre fui cuidadoso. Nunca – em nenhuma hipótese – me envolvi com uma mulher famosa. Culpava a bebida. Estava na merda, já bem bêbado, não inconsciente, porém, em um nível que minha decisão foi imprudente.

— Fugindo de mim, baby? — Meghan finalmente conseguiu me abordar.

— Foda-me. O que você quer, satã?

— Acho que isso é um elogio, vindo de um homem chamado de diabo pela maioria. — Abriu o sorriso que quando a conheci, achei encantador. — Ainda chateado comigo, lindinho?

— Desaparece da minha frente, Meghan.

— Talvez devesse me ouvir. — Inclinou o torso e seu decote exagerado ficou no meu campo de visão. — Eu posso ter mais algumas fotos.

— Meghan, eu sei que você faz dinheiro expondo homens ricos com quem se envolve. Infelizmente, eu posso ter me fodido ao ir para cama com você, mas não pense nem por um segundo que eu mesmo não possa expor meu pau na internet. — Peguei um copo de uísque que o garçom estava servindo. — Não vai tirar um centavo. Fique longe do meu caminho ou eu posso esquecer a cordialidade e começar a devorar tudo que tem. De todos os homens que se envolveu, eu sou o único que não tenho nada a perder em te destruir.

Ela abriu a boca e voltei a falar.

— Aproveite enquanto mantenho meus advogados cuidando do caso, tenho mais o que fazer. Quem recolhe segredos por aí também deixa a bunda de fora. Como será que a alta sociedade vai reagir ao ler no café da manhã o que seu pai ganha nos bastidores da polícia? — Dei um gole e seu olhar ficou um tanto amedrontado. — Será que ele vai ficar feliz em ter seu cuidadoso castelo de lavagem de dinheiro em ruínas por que a filha é uma mimada que gosta de atenção? Meghan colocou o cabelo atrás da orelha.

— Não falaremos mais sobre isso.

— Fique bem longe de mim. — Sorri bem cínico ao vê-la se afastando.

Porra. Eu fui… um Arthur. Era o que todos me chamavam com reações assim. Arthur sendo Arthur passou a significar ser agressivo com as palavras, ameaçador, um tremendo cuzão. Como advogado, não permitia ninguém no meu caminho e como um ser humano que paga as contas e mantém os impostos em dia, não gostava que me enchessem o saco.

Mari Cardoso nasceu no início da década de noventa, na região dos lagos do Rio de Janeiro. Incentivada pela mãe, que lia histórias bíblicas e entre outras, sempre teve aguçado o amor pelos livros. Em 2008, passou a se aventurar no mundo das fanfics da Saga Crepúsculo até que, anos mais tarde, resolveu começar escrever originais. Em 2019 iniciou sua carreira como autora profissional e hoje possui duas séries em destaque: Elite de Nova Iorque e Poder e Honra, dezessete livros publicados e alguns milhares de leituras acumulados. Tornou-se autora best seller no ano de 2020 com o romance Perigoso Amor – Poder & Honra.

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