A Protegida do Mafioso – Livro de D. A. Lemoyne

A Protegida do Mafioso - Livro de D. A. Lemoyne

Trecho do livro

NOTA DA AUTORA:

A Protegida do Mafioso é um livro que faz parte da trilogia “Os Reis da Máfia”, um projeto em conjunto com as autoras Van Ianovack (A Vingança do Mafioso) e Mari Cardoso (A Escolhida do Mafioso) e narra a história do chefão da máfia russa nos Estados Unidos.

É a primeira vez que escrevo sobre o tema e confesso que foi desafiador, mas estimulante também.

Dentro dessa trilogia, a história de Yerik e Talassa é um livro único, porque meus leitores sabem que não costumo fazer dois livros sobre o mesmo casal (a única exceção foi Seduzida e Cativo), mas pretendo em um futuro não muito distante dar continuidade aos outros personagens que apareceram na presente obra: Grigori, Maxim, Dmitri e Leonid.

Espero que apreciem o livro tanto quanto eu adorei escrevê-lo.

Um beijo carinhoso e boa leitura.

D. A. Lemoyne

Yerik

Lobnya – Rússia

Aos quatorze anos

Quase comemoro o silêncio que se instala por alguns segundos.

Eu não gosto de barulho de uma maneira geral e as visitas de deduslika sempre acabam assim.

— Meu filho não vai em viagem alguma com você. Eu já disse mais de uma vez. Pare com esses convites. O senhor não foi um pai para mim durante toda a vida e ainda assim, eu o amo, mas não encha a cabeça das minhas crianças de ideias. Não quero ter nada a ver com seus negócios.

Finjo prestar atenção à comida no meu prato, mas na verdade gostaria de me levantar. Estamos só eu, meu pai e vovô Ruslan — o homem que só vim a conhecer há pouco mais de dois anos. Meu pai é filho ilegítimo, mas ironicamente, o único descendente homem direto do meu avô. Segundo escutei mamãe falar, antes de Ruslan se casar, era um mulherengo. Ela disse que provavelmente em seu enterro haverá várias mulheres do seu passado chorando sobre o caixão — o que significa que eu devo ter tios e primos espalhados por toda a Rússia. Talvez pelo mundo.

— Eu poderia cuidar dele.

— Agradeço, mas Yerik tem pai e mãe vivos. O seu tipo de cuidado não é necessário.

Eu meio que sei do que papai está falando. Não sou mais um garotinho como pensa e presto atenção nas coisas que ele conta à minha mãe. Meu avô é o Pakhan, o chefe do crime organizado em nosso país. Ele é muito poderoso e esse é um dos motivos pelos quais meu pai prefere manter nosso parentesco com vovô em segredo.

Sempre que conversam a respeito, ele e mamãe falam como seria arriscado se descobrissem em nossa cidade que somos descendentes de Ruslan Vassiliev. Por ser filho ilegítimo, meu pai nunca usou o sobrenome Vassiliev e acabou adotando o do seu avô materno, Goncharov.

— Tudo bem. Apesar de achar que está errado, você é meu filho e respeitarei sua vontade. Yerik um dia vai crescer e poderá decidir sozinho. Ele poderia ser o meu herdeiro. É o meu neto mais velho.
— Ele vai estudar e se tornar médico.

— Vamos ver.

O homem corpulento se levanta e vem para o meu lado. Posso sentir sua presença. Vovô tem algo nele que faz com que desejemos estar a sua volta. Infelizmente, meu pai não me deixa passar tanto tempo com ele quanto eu gostaria.

Todas as vezes em que visita nossa casa, eu quero fazer um monte de perguntas sobre a vida fora dessa cidade. Eu o ouvi dizer que já viajou pelo mundo inteiro e que tem muitos negócios nos Estados Unidos.

— Yerik, dê um abraço em seu dedushka. – Meu avô pede.

Levanto-me para abraçá-lo. Eu o admiro, mesmo meu pai não querendo que sejamos próximos. Vejo como os homens o olham. Ninguém encara meu avô, nem mesmo seus guarda-costas.

— Yerik, eu sempre estarei aqui para você. — Fala, mexendo em meu cabelo. — Você é meu sangue e se quiser, o mundo pode ser seu.

— Pare com isso, Ruslan. — Papai diz, se alterando não pela primeira vez na noite. Ele chama o próprio pai pelo nome.

— Meu neto pode decidir o próprio destino. — Vovô não recua.

Olho de um homem para o outro, dividido entre realizar os sonhos daquele que me deu a vida e a vontade de saber um pouco mais sobre o mundo que o meu avô tanto fala.

Eu ainda não sabia, mas dentro de pouco tempo, o destino decidiria por mim.

Algumas semanas depois

Choro.

É a minha primeira percepção ao acordar. Minha mãe está chorando.

— Natalya desapareceu.

Ao ouvir o que ela diz, levanto-me depressa e visto uma calça de moletom.

A minha irmã sumiu?

— Nós vamos encontrá-la. — Uma voz de homem responde.

Vovô?

Olho o relógio na mesinha de cabeceira. O que ele faz aqui a essa hora da madrugada?

Assim que chego à sala, vejo que segura mamãe em um abraço. Algo muito sério se passou, porque ela nunca gostou dele. E onde está o meu pai?

— O que aconteceu? — Pergunto, sentindo o estômago revirar.

— Sua irmã foi sequestrada. — Meu avô diz com o rosto sério e sem tentar atenuar sua resposta.

Talvez no mundo dele aquela palavra não seja nada demais. Acho que está acostumado a lidar com coisas assim, dado o meio em que vive, mas eu sinto minhas pernas começarem a tremer.

Natalya, sequestrada?

— Eu preciso ir, Polina. Não posso perder tempo. Cada minuto conta.

— Onde está papai?

— Ele foi à procura dela.

Já andando para o armário na entrada da casa para pegar meu casaco, peço.

Dedushka, leve-me com você.

Ele acena com a cabeça, concordando e minha mãe não reage, o que me mostra o quanto está apavorada.

Dias depois

Olho para todo o sangue espalhado. O sangue do inimigo. Honrei a morte da minha irmã com as minhas próprias mãos.

Agora acabou.

A vida que eu conheci até aqui não me interessa mais.

Nem mesmo meus pais protestaram quando eu disse que partiria com vovô. Daqui por diante, sou Yerik Vassiliev, o herdeiro do Pakhan.

O garoto que existia até ver o que fizeram com a irmã, desapareceu. Um homem sem alma surgiu em seu lugar.

Capítulo 1

TALASSA

Atenas — Grécia

Dezoito anos depois

— Um leão ou um vaso de flores? Não. Definitivamente é um coelho.

— O que você está resmungando aí?

Sinto minhas bochechas esquentarem enquanto olho na direção da menina que acaba de falar comigo. Ela deve ter a minha idade, dezesseis, mas parece ser bem mais velha.

Talvez tenha dezessete. Papai disse que todas as meninas que ganharam bolsas de estudos do doutor Leandros Argyros têm por volta de dezesseis ou dezessete anos, apesar dessa parecer uma adulta.

Ela está usando maquiagem e é bonita como uma atriz de cinema.

— Você não sabe falar? Estou escutando-a resmungar há alguns minutos.

— Sei sim. Eu sinto muito.

— Então, o que diabos foi aquilo sobre leões e coelhos? Dou de ombros, sem jeito.

— Eu estava observando as nuvens. Gosto de tentar adivinhar quais figuras elas formam.

— Meu Deus, você é tão infantil. Acha que tem cinco anos de idade ainda? Acabamos de chegar a Atenas e vamos finalmente poder viver. Estudar também, claro, mas principalmente conhecer novos lugares.

Ela é estranha. Quero dizer, está falando comigo como se já me conhecesse há muito tempo e sequer disse o próprio nome.

Decido contornar sua maneira rude.

— Boa tarde, eu sou Talassa Galanis. — Falo, oferecendo a mão para cumprimentá-la.

Ela me olha por um tempo e enfim a aperta, mas é um toque leve, quase como se achasse que eu tenho algum vírus que pode contaminá-la.

— Lara Nomikos. De qual ilha você é?

— Pletánya.

— Está explicado esse seu jeito bicho-do-mato. Vamos rezar para que consiga ao menos interagir com as pessoas. Quer um conselho, Talassa? Perca esse ar de criança. Tenho certeza de que grandes oportunidades virão para nós nos próximos meses.

— Certo. — Respondo e volto-me para a janela, encerrando a conversa.

Não quero começar meu primeiro dia longe de casa arrumando inimizade, mas essa menina não sabe nada sobre mim, deve ter pouco mais do que a minha idade e, no entanto, fala como se fosse muito experiente.

Ela, porém, não parece disposta a se dar por vencida e cutucando meu braço de leve com seu ombro, finaliza.

— Não se preocupe. Eu a ajudarei a ser mais esperta.

Não sei se entendo muito bem o que ela está dizendo. — O que isso significa?

— Significa que ficarei de olho para que não se meta em encrenca.

Eu tenho vontade de rir porque ela é quem parece a imagem da encrenca. Apesar disso, aceno com a cabeça, começando a simpatizar com o jeito direto de Lara.

— O fato de eu ter feito a viagem em silêncio não quer dizer que sou burra. Só estava prestando atenção à paisagem.

— Eu não disse que você é burra, mas inocente. Ser esperta não tem nada a ver com inteligência, Talassa, mas sim, fazer o que é necessário para sobreviver. Atenas não é a sua ilha. Há pessoas boas e ruins espalhadas. Mas não se preocupe, eu tomarei conta de você. Considere hoje como o seu dia de sorte, menina. Você acaba de ganhar a mim como amiga.

Deus, o ego dela é tão grande que sorrio.

— É, acho que sou uma sortuda mesmo.

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