A Obsessão do Mafioso – Livro de D. A. Lemoyne

Leia online PDF de A Obsessão do Mafioso  - Livro de D. A. Lemoyne - Livro 1 da Série Alfas da Máfia

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Trecho do livro

NOTA DA AUTORA:

A Obsessão do Mafioso é o primeiro livro da saga Alfas da Máfia, série spin-off de A Protegida do Mafioso.

Ah, Deia, mas por que esse livro não faz parte da série Os Reis da Máfia?

Simples: quando a série Os Reis da Máfia foi concebida em parceria com as autoras Mari Cardoso e Van Ianovack, A Protegida do Mafioso era para ser um livro único(meu).

Acontece que os leitores pediram muito para que eu escrevesse a história dos quatro homens de Yerik, o Pakhan russo, líder da Organização nos Estados Unidos: Grigori, Dmitri, Maxim e Le-onid. Assim, decidi fazer uma série spin-off e cada um deles terá seu próprio livro.

É importante frisar que a história de Lara e Grigori começa em A Protegida do Mafioso e que apesar do livro deles poder ser lido independentemente do anterior e dos que virão a seguir, é aconselhável que se leia o livro de onde a série deriva para que se tenha a visão do todo.

Mesmo sendo uma série, cada livro será protagonizado por um casal diferente. Ainda assim, o livro posterior provavelmente conterá spoilers dos anteriores.

Eu amei escrever essa história e espero que apreciem também.

Um beijo carinhoso e boa leitura.

D.A. Lemoyne

Lara

Ilha de Surys – Grécia

No dia seguinte do seu décimo sexto aniversário

Tento me concentrar no som das ondas do mar quebrando abaixo de nós, mas a voz dela não me permite aproveitar a paz que preciso nesse momento.

— Lara, você só pode estar brincando. Isso nunca vai dar certo — Amara diz.

Sinto meu cabelo molhado pingando em minhas costas. Eu fiquei quase vinte minutos no banho antes de juntar algumas peças de roupa em uma mochila e vir encontrá-la. Agora, me pergunto se não deveria ter me esfregado um pouco mais. Só que eu sei que não importa o quanto de sabão use, nunca me sentirei completamente limpa outra vez.

Olho para minha amiga, a única que tenho. Ela é filha de um dos nossos empregados.

Minha mãe tentou a todo custo impedir que uma amizade crescesse entre nós, mas sempre nos demos bem.

Não quero envolvê-la além do necessário, então tento fingir que estou calma.

Ela não pode descobrir. Ninguém pode saber.

— Eu não tenho outra saída. Por favor, Amara. Não posso ficar aqui ou minha vida estará acabada. Eles nunca me deixarão partir e eu quero ser livre — minto.

— Como não deixarão? Você é inteligente e tem que estudar, como todo mundo. Não falou que sua mãe estava pensando em enviá-la para a Suíça?

Aperto os punhos ao lado do corpo.

— Por favor — insisto, sem saber quais outros argumentos usar para convencê-la. Amara não tem ideia de que preciso fugir imediatamente.

Sinto um pouco de remorso por estar enganando minha amiga. Na verdade, eu iria embora da ilha dentro de pouco mais de um mês, mas isso foi antes do que aconteceu. Se eles descobrirem, vou para a prisão.

Outra prisão. Agora uma de verdade e não tendo mais somente minha mãe e meu padrasto como carcereiros.

Amara segura minha mão, entrelaçando nossos dedos. Eu resisto à tentação de pedir um abraço. Se eu fizer, não conseguirei seguir adiante com isso.

— Mas todos vão notar — argumenta. — E o que vou dizer para os meus pais? Doutor Leandros poderia se voltar contra eles se descobrisse. Meu pai morre de medo do homem. Além do mais, se eu aceitar o que está me propondo, quem ficará presa nesse lugar para sempre serei eu.

— Eu tenho dinheiro guardado — me apresso a garantir. —Posso dividi-lo com você. Não me disse que sonhava em conhecer o mundo? Faça isso. Seja dona do seu próprio destino. Você já é quase maior de idade.

Amara, ao contrário de mim que só tenho dezesseis, tem quase dezoito anos e sempre quis ir embora.

Essa é a ironia da vida. Até o que aconteceu hoje de madrugada, de nós duas, ela era aquela que tinha pressa de viver. Linda e corajosa. A garota que eu sempre quis ser. Eu bebia suas histórias de como em divertido sair com seus namorados, o que eles faziam e até sua experiência em provar álcool. Eu vivi muito tempo através dela, fantasiando estar em seu lugar.

— Você vai ter dinheiro para começar uma boa vida — garanto. — Disse-me que seus pais não ligariam se continuasse estudando ou não e que só aceitaram a bolsa de estudos para agradar o tal doutor Leandros Argyros. Então, que diferença faz? Eu vou fingir que sou você apenas por um par de dias. Só o suficiente para procurar um lugar para morar em Atenas.

O que eu não falo, é que provavelmente terei que atravessar a fronteira e ir para outro país.

— Você fala que vai dividir o dinheiro que tem comigo, mas vai precisar dele para comer e pagar um aluguel. Se o seu plano é fugir do colégio interno, necessitará de dinheiro para se manter.

Ela passa a mão no rosto e percebo que pela primeira vez desde que nos conhecemos, está com medo, o que me decepciona um pouco. É como ver nosso ídolo rachar. Amara sempre foi tudo o que eu desejava ser.

— Tudo bem, vamos fazer isso — ela finalmente se decide. — Mas eu não quero problemas.

Não acho que minha fuga causará problemas para ela, talvez somente me odeie quando descobrir a verdade.

Mas então, eu já estarei bem longe.

Mais tarde naquele mesmo dia

A viagem de ônibus parece que não vai terminar nunca e eu estou inquieta.

Se tudo der certo, só ficarei dois dias no internato e então vou sumir no mundo. Amara me prometeu que não contará a ninguém. Ela vai esperar até que se deem conta do engano.

Estou no meio dos meus planos de fuga quando vejo uma menina de cabelos castanhos como os meus, falando consigo mesma.

Penso que antes do que aconteceu hoje, a garota poderia ser eu — boba e inocente assim. Até essa madrugada, quando meu mundo virou de cabeça para baixo. Não, se eu for honesta, minha vida já havia mudado na hora em que mamãe colocou aquele homem dentro da nossa casa, há um ano.

Chega de pensar nisso, Lara.

A garota continua falando baixinho e eu quase sorrio quando a ouço relacionar os formatos das nuvens com animais e objetos. Mas então eu me lembro que não posso mais ser assim. Sorridente. Feliz. Eu preciso assumir a personalidade de Amara ou ninguém me respeitará.

— O que você está resmungando aí? — Pergunto, imitando o tom debochado da minha amiga quando falava comigo.

Ela me estuda em silêncio. É realmente linda. Eu não deveria puxar assunto com outra garota. Quanto menos pessoas se lembrarem de mim, mais fácil será desaparecer.

— Não vai responder? Estou escutando-a conversar consigo mesma há alguns minutos — continuo.

— Eu sinto muito se a incomodei — diz.

— O que diabos foi aquilo sobre leões e coelhos?

Ela dá de ombros.

— Eu estava observando as nuvens. Gosto de tentar adivinhar quais figuras elas formam.

Claro que eu sabia disso, mas não poderia admitir, ou meu disfarce iria por terra.

— Meu Deus, você é tão infantil. Acha que tem cinco anos de idade ainda? Acabamos de chegar a Atenas e vamos finalmente poder viver. Estudar também, claro, mas principalmente conhecer novos lugares.

Apesar da minha rudeza, ela estende a mão.

— Boa tarde, eu sou Talassa Galanis .

— Lara Nomikos — minto, misturando meu primeiro nome, que é o verdadeiro, com o sobrenome de Amara.— De qual ilha você é?

— Pletánya.

— Está explicado esse seu jeito bicho-do-mato. Vamos rezar para que consiga ao menos interagir com as pessoas. Quer um conselho, Talassa? Perca esse ar de criança. Tenho certeza de que grandes oportunidades virão para nós em um futuro próximo —afirmo, repetindo as palavras que Amara me disse há alguns meses.

Continuamos a conversar por um tempo e quanto mais ela fala, mais eu gosto dela.

Queria poder tê-la conhecido em uma situação normal. Decido, no entanto, que pelo tempo que eu estiver no colégio interno, ficarei perto de Talassa.

— Considere hoje como o seu dia de sorte, menina. Você acaba de ganhar a mim como amiga.

Foi isso que Amara me falou quando nos conhecemos ainda crianças. Mas ao contrário de mim, que na época quase pulei de alegria, Talassa me dá um sorriso doce, porém irônico.

— É, acho que sou uma sortuda mesmo.

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