Amor por Contrato – Livro de Yule Travalon

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Patrícia Sanches é uma advogada que ganha a vida vendendo produtos para o público adulto. Altruísta e guerreira, sempre coloca as pessoas em primeiro lugar em sua vida, ignorando e fingindo que seus problemas não existem. Sua vida vira de pernas para o ar ao descobrir que o estado de saúde de sua mãe está muito grave e ela precisa de dinheiro rápido e urgente. O que resolveria todos os seus problemas: um velho rico de 99 anos respirando por aparelhos, que a amasse de verdade e deixasse todos os bens em seu nome, para então morrer de causas naturais. A solução: rodar a bolsinha na esquina. Ayslan Linkalter é um médico bilionário conhecido por ser um grande cafajeste e mulherengo. Por não ter tempo, nem disposição para a chatice dos romances….

ASIN: ‎B092RW5MPM; Número de páginas: 578 páginas; Data da publicação: 16 abril 2021

Trecho do livro

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo

Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar
— Caetano Veloso em “Você não me ensinou a te esquecer”.

Quando eu era criança, virava as madrugadas assis-tindo filmes que passavam na TV: “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “O Senhor dos Anéis”, “Harry Potter”. Eles me le-vavam para um mundo fantástico e excepcional em que eu queria estar.

A minha mãe também. Não importava quantas vezes passasse na TV, ela nunca perdia de ver “Urna linda Mulher”.

Eu nunca entendi o que tinha de tão interessante e especial naquele filme.

Até crescer.

Hoje eu te entendo, mãe.

Já perdi as contas de quantas vezes assisti “Uma linda Mulher” desde o início da pandemia.

Algumas palavrinhas antes do início da leitura: este livro é uma comédia romântica, um clichê, sem grandes pretensões além de te divertir e entreter.

Caso você esteja buscando uma leitura complexa e cheia de reviravoltas como “Um bebê para o Príncipe” ou “Nas Mãos do CEO”, aguarde os livros do segundo semestre do ano. Atualmente estou trabalhando na série que sucederá a Conspiração, e lá, eu te garanto, teremos tramas desafiadoras.

Aqui é para ler e relaxar. Como “Um bebê para o Bilionário” ou “Show de Vizinho”.

Se você veio para rir e ler uma linda história de amor com final feliz, você veio ao lugar certo. Aproveite o show.

PS1: Esse livro é um “spin-off” do livro “O Herdeiro —Um bebê para o Bilionário”. Mas ele é independente, foca na história do casal Patrícia Sanches e Ayslan Linkalter. Então você não precisa ler o anterior para entender esse.

PS2: “Ah, mas na história do fulano, a personagem não era assim”. Lembre-se que em histórias contadas em primeira pessoa, só temos a “verdade” a partir dos olhos de quem conta. Os protagonistas mentem, eles fingem, eles escondem coisas.

Você não conhecia a Patrícia de verdade.

Até agora.

Boa sorte, prepare lenços para rir e para chorar.

Boa leitura!
Yule.

PATRÍCIA SANCHES

A primeira coisa que faço ao chegar em casa após um longo dia catalogando, encaixotando e despachando piroca nos correios, é tirar os tênis, abrir uma cerveja gelada e curtir um pouco de funk dentro do escritório.

O dia em São Paulo foi quente e abafado, mas como sou filha de Deus, mereço me refrescar e descansar a cabeça.

— Só me faltava essa. — Tamborilo os dedos em cima da mesa do escritório quando a música para.

Meu celular vibra com força com a ligação de Pâmela, minha irmã mais velha.

Tenho ignorado suas chamadas desde ontem. Só hoje me ligou umas nove vezes, começo a achar que ou alguém morreu ou eu vou precisar matar.

— Seja rápida, preciso organizar o estoque. — Coloco os fones de ouvido e vou organizando as caixas de lubrificante e gel que aquece ou congela.

—Ah, a bonita atendeu, olha só — desdenha e respira fundo.

— Pâmela, estou sem tempo. O dia foi longo e estou sem paciência, o que tiver de me dizer, diga logo. — Mostro minha irritação.

—A mamãe te ligou?

Pelo tom de voz já sei que vou me estressar. Alguma coisa muito ruim deve ter acontecido, por isso paro o que estou fazendo e sento.

— Não, não ligou. Aconteceu alguma coisa? A vovó está bem? — Coloco a mão no peito.

— Patrícia, o Santos não apenas cancelou o plano de saúde da mamãe como comprou uma insulina duvidosa, a mulher passou mal após a aplicação — diz afobada, parece que ela treme de lá e eu tremo daqui.

Oi? — Tento raciocinar, mas é difícil.

O Santos é um inferno em nossas vidas. Sempre foi. Mas agora ele passou dos limites e ele não perde por esperar quando eu pisar no meu Rio de Janeiro!

Papai era um bom homem, um policial que gostava de seguir as regras e que por isso acabou sendo traído por colegas de dentro da corporação, foi para uma emboscada e morreu numa troca de tiros.

Eu tinha apenas 9 anos quando isso aconteceu.

Mamãe ficou arrasada, é claro, mas continuou a viver e lutar. Sempre foi uma guerreira, desde que me lembro trabalhava como faxineira em Copacabana ou Leblon, em casa de famílias importantes. Nunca deixou que nada faltasse às filhas, mas se sentia muito sozinha.

Ela segurou as pontas o quanto deu, mas três anos depois se casou de novo. Com o Santos, meu padrasto. Um cara metido com jogo do bicho, mau-caráter por diversão e aproveitador por formação.

Pâmela logo que fez 18 anos saiu de casa, se casou com um policial civil e foi morar longe. Eu não tive tanta sorte. Tive que ficar em casa até os 17 quando passei em direito na Mackenzie e vim morar em São Paulo.

Santos sempre abusou da minha mãe em todos os sentidos. E conforme eu crescia, queria me usar em seus truques sujos, me oferecia de brincadeira como prêmio de alguns sorteios, dizia que um dia faria um bolão para que comprassem minha virgindade.

Saí daquele inferno antes que fosse tarde demais.

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